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O que nós vemos das coisas são as coisas
O que nós vemos das coisas são as coisas.
Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras
eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
(PESSOA, Fernando. Poesia Completa de Alberto Caeiro. São Paulo: Companhia das Letras. 2005. P. 49.)
O que podemos conhecer? Somos capazes de conhecer a verdade? É possível ao sujeito apreender o objeto? Tantas questões... As diversas discussões sobre o conhecimento fizeram surgir duas correntes antagônicas de pensamento – Ceticismo e Dogmatismo, que defendem, respectivamente:
A preponderância da fé e a falibilidade da razão.
A incongruência e a exatidão da capacidade humana.
A finitude do ser e a infinitude do conhecimento sensível.
A impossibilidade ou a possibilidade de conhecer a verdade.