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“[...] Concretitude das coisas: falácia
de olho enganador, ouvido falso,
mão que brinca de pegar o não
e pegando-o concede-lhe
a ilusão de forma
e, ilusão maior, a de sentido?
Ou tudo vige
planturosamente, à revelia
de nossa judicial inquirição
e esta apenas existe consentida
pelos elementos inquiridos?
Será tudo talvez hipermercado
de possíveis e impossíveis possibilíssimos
que geram minha fantasia de consciência
enquanto
exercito a mentira de passear
mas passeado sou pelo passeio,
que é o sumo real, a divertir-se
com esta bruma-sonho de sentir-me
e fruir peripécias de passagem? [...]”
(ANDRADE, Carlos Drummond de, 2014. Fragmento.)
O poema de Carlos Drummond de Andrade trata da “ilusão do sentido”, termo bastante discutido em prosa e verso; destaca, também, a expressão “falácia”, que, em termos filosóficos, diz respeito a:
Elementos que fazem parte do campo de estudos da lógica; foram criados por Platão em seus estudos sobre o mundo ideal.
Também chamadas “sofismas”, que eram utilizadas pelos filósofos epicuristas, primeiros pensadores a sistematizarem a filosofia grega.
Pensamentos envolvendo raciocínios categóricos e verídicos, mas que fazem com que uma verdade possa parecer frágil ou inconsistente.
Argumentos que têm a pretensão de ser corretos e conclusivos; mas que, no entanto, possuem algum erro em sua estrutura ou conteúdo.