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“O ouro, a prata, os corpos belos e todas as coisas são dotadas dum certo atrativo. O prazer de conveniência que se sente no contato da carne influi vivamente. Cada um dos outros sentidos encontra nos corpos uma modalidade que lhes corresponde. Do mesmo modo, a honra temporal e o poder de mandar e dominar encerram, também, um brilho, donde igualmente nasce a avidez e a vingança. [...] A vida neste mundo seduz por causa duma certa medida de beleza que lhe é própria, e da harmonia que tem com todas as formosuras terrenas. Por todos estes motivos e outros semelhantes, comete-se o pecado, porque, pela propensão imoderada para os bens inferiores, embora sejam bons, se abandonam outros melhores e mais elevados, ou seja, a Vós, meu Deus, à vossa verdade e à vossa lei.”
(Santo Agostinho. Confissões, P. 33.)
No processo de desenvolvimento do Cristianismo, tornou-se necessário explicar seus preceitos, pois, como a própria Igreja Católica sabia, não poderiam, simplesmente, ser impostos à força. Muitos textos sobre fé cristã foram elaborados; principalmente, com a Patrística, podemos afirmar que houve uma tentativa de:
Conciliar fé e razão, munindo a fé de argumentos racionais.
Desmistificar a fé cristã, extirpando qualquer tentativa de dogmatização.
Materializar em obras, os preceitos cristãos, considerados heréticos pela Santa Sé.
Preconizar a fé como substituta da razão, vista naquele período como mundana.