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Leia o texto a seguir:
“Mas o que sou eu, portanto? Uma coisa que pensa. Que é uma coisa que pensa? É uma coisa que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que quer, que não quer, que imagina também e que sente. Certamente não é pouco se todas essas coisas pertencem à minha natureza. Mas por que não lhe pertenceriam? Não sou eu próprio esse mesmo que duvida de quase tudo, que, no entanto, entende e concebe certas coisas, que assegura e afirma que somente tais coisas são verdadeiras, que nega todas as demais, que quer e deseja conhecê-las mais, que não quer ser enganado, que imagina muitas coisas, mesmo mau grado seu, e que sente também muitas como que por intermédio dos órgãos do corpo? Haverá algo em tudo isso que não seja tão verdadeiro quanto é certo que sou e que existo, mesmo se dormisse sempre e ainda quando aquele que me deu a existência se servisse de todas as suas forças para enganar-me? [...] Que assim seja; todavia, ao menos, é muito certo que me parece que vejo, que ouço e que me aqueço; e é propriamente aquilo que em mim se chama sentir e isto, tomado assim precisamente, nada é senão pensar. Donde, começo a conhecer o que sou, com um pouco mais de luz e de distinção do que anteriormente” (DESCARTES, R. Meditações. In.: Descartes. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979. Col. Os Pensadores, p. 95).
Tendo como referência este texto do filósofo René Descartes (1596-1650) e as suas contribuições para a teoria do conhecimento, marque a alternativa que apresenta corretamente as concepções da filosofia cartesiana.
Descartes, ao se utilizar do recurso dos céticos, a dúvida, estabeleceu um princípio sólido para o conhecimento ao fundamentá-lo nas impressões produzidas a partir do dos órgãos do corpo e analisadas por meio da razão, responsável pelo discernimento crítico e racional, deste modo, ele superou o ceticismo predominante no período renascentista.
Descartes, ao valorizar a história da filosofia, contribuiu para o seu desenvolvimento ao aprimorar o método investigativo dos filósofos escolásticos que buscavam, por meio da dúvida, provar a existência de Deus e, embora, tenha considerado o ser que lhe deu existência como um gênio maligno, ele concluiu, após um longo processo de dúvida, que Deus é bom e perfeito.
Descartes tornou-se um cético provisório em busca de certezas que pudessem fundamentar, com solidez, o conhecimento e, depois de um longo processo de dúvida, encontrou a evidência das ideias inatas, ideias claras e indubitáveis, que ele distinguiu das ideias adventícias que são produzidas pelos órgãos do corpo, bem como, das ideias fictícias, inventadas pelo filósofo mesmo.
Descartes transformou a dúvida em método filosófico e, por meio da dúvida hiperbólica, chegou a duvidar de sua própria existência, contudo, ele concluiu que o ato de duvidar é uma prova de sua existência e, deste modo, superou o dualismo psicofísico preconizado pela filosofia platônica ao considerar que o processo de sentir, por meio dos órgãos do corpo, pressupõe um ato de pensar.