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O pensamento decolonial objetiva problematizar a manutenção das condições colonizadas da epistemologia, buscando a emancipação absoluta de todos os tipos de opressão e dominação, ao articular interdisciplinarmente cultura, política e economia de maneira a construir um campo totalmente inovador de pensamento que privilegie os elementos epistêmicos locais em detrimento dos legados impostos pela situação colonial. Grosfoguel aponta que “é preciso descolonizar não apenas os estudos subalternos como também os pós-coloniais”.
(Apud ROSEVICS, 2017, p. 189.)
O racismo epistêmico é um dos racismos mais invisibilizados no “sistema-mundo capitalista/patriarcal/moderno/colonial”. O racismo em nível social, político e econômico é muito mais reconhecido e visível que o racismo epistemológico. Sobre essa questão, é correto afirmar que:
Embora hoje existam muitas leis rigorosas que regulem as produções e engajamento acadêmico para impedir tais discriminações, observarmos que ainda é possível detectar tais discrepâncias.
No Brasil, com o sistema de cotas, a abrangência acadêmica se tornou uma realidade e as atitudes hegemônicas em relação ao conhecimento têm sido vistas sob o discurso de objetividade e neutralidade.
Este racismo epistemológico opera privilegiando as políticas identitárias dos antigos colonizadores e a tradição de pensamento e pensadores dos homens ocidentais (que também distingue as mulheres).
Vemos que todas as disciplinas das instituições particulares (de elite), sem exceção, privilegiam os pensadores e teorias ocidentais, enquanto que as demais, por questões políticas, são obrigadas a democratizar.