Questões de Concurso sobre Filosofia Brasileira

 
 
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“É essa a ideia que proponho para pensarmos juntos. Sair de um esquema que supõe que a filosofia está de alguma forma acima da infância, conhece em certo modo a forma que ela precisa e então iria à escola para plasmar esse ideal formativo que ela já conhece. Segundo essa lógica, a filosofia seria o princípio, a formação da infância seria o fim e a escola seria o meio para que o princípio alcançasse seu fim” (Kohan, 2016).


Com base no trecho acima, retirado de um texto de Walter Kohan, importante pensador do ensino de Filosofia no Brasil, é correto afirmar que o autor defende que


A

a filosofia não tem qualquer papel formativo na escola.


B

embora possa haver um papel formativo a ser desempenhado pela filosofia, essa função não deve ser exercida na escola.


C

por sua própria inutilidade, a filosofia não deve ser priorizada no currículo escolar.


D

a filosofia não deve ocupar função pedagógica que iniba as livres possibilidades da infância.


E

a filosofia é o princípio norteador da formação da infância.

“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades – as nossas subjetividades. Então vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência”.


KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.


No excerto, Ailton Krenak articula uma crítica que pode ser compreendida, do ponto de vista filosófico, como parte do esforço de descolonização epistêmica, pois


A

questiona a ideia de que há apenas uma forma legítima de racionalidade.


B

defende a universalização de valores civilizatórios como ideal ético comum.


C

associa o progresso técnico à superação das limitações da cultura tradicional.


D

propõe a neutralidade das ciências como fundamento do respeito à diversidade.


E

trata a subjetividade como expressão universal da razão comum a todos os povos.

Sobre a filosofia brasileira, considere o trecho a seguir:


Nasceu em Campinas, São Paulo, em 1963. Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é uma referência na filosofia da educação no Brasil. Seus estudos exploram a pedagogia libertária e o anarquismo, defendendo uma educação emancipadora e crítica. Também desenvolveu pesquisas sobre o ensino de filosofia no país, propondo metodologias inovadoras que conectam a filosofia à prática educativa.


O trecho refere-se ao:


A

Silvio Gallo.


B

Leandro Karnal.


C

Luiz Felipe Pondé.


D

Mario Sergio Cortella.


E

Miguel Reale.

Ano: 2024
Prova: Instituto Verbena - IFNMG - Professor - Área: Filosofia - 2024

Leia o texto a seguir.


“A modernidade é um mundo completo, fechado, endógeno, autorreferencial, autossuficiente e autossubsistente, que não precisa de colaboração e crítica de fora para dentro, e nem abre espaço para a participação por parte do outro da modernidade”.


DANNER, F.; DORRICO, J.; DANNER, L. F. Pensamento indígena brasileiro como crítica da modernidade: sobre uma expressão de Ailton Krenak. Griot: Revista de Filosofia. Amargosa – BA, v. 19, n. 3, p. 76, outubro, 2019.


O excerto acima, com base no pensamento de Ailton Krenak, leva à afirmação de que o Ocidente é uma


A

pseudocultura de ideias.


B

monocultura de ideias.


C

necrocultura de ideias.


D

topocultura de ideias.


E

policultura de ideias.

“Em comparação com Portugal, a evolução do pensamento filosófico no Brasil Colônia se fez de maneira bastante lenta na sua fase inicial, e de maneira muito mais rápida e radical na sua fase final. Isso foi assim porque na Colônia as novidades chegavam muito depois de terem sido conhecidas ou implantadas na Metrópole, e, além disso, a resistência à divulgação ou implantação delas por parte da administração lusitana era maior no Brasil do que em Portugal. As coisas melhoraram um pouco durante o Ciclo do Ouro, no século XVIII, quando surgiu na região das Minas Gerais uma sociedade mais arejada do que a do engenho de açúcar no Nordeste. Mas os avanços filosóficos introduzidos foram muito modestos e acabaram sendo contrabalançados não só pela crise educacional resultante da expulsão dos jesuítas em 1759, mas também pela fracassada reforma pedagógica que aqui se tentou implantar depois disso. Essa situação de atraso foi subitamente rompida - e de maneira absolutamente radical - pela transferência da Corte ao Brasil”.


(MARGUTTI, P. História da Filosofia do Brasil. O período colonial (1500-1822). São Paulo: Loyola, 2013, p. 355)


Considerando o texto acima e as características da filosofia brasileira no período colonial apontadas por Paulo Margutti, assinale a afirmativa INCORRETA.


A

A filosofia brasileira no período colonial apresenta uma estrita filiação à filosofia portuguesa, revelando uma reflexão sem características próprias.


B

As visões de mundo dos indígenas e dos africanos devem ser examinadas no desenvolvimento da história da filosofia do Brasil.


C

O catolicismo barroco é marcado por uma visão de mundo cético-estoico-soteriológica.


D

Os problemas que preocuparam os pensadores brasileiros se encaixam no processo ideológico de implantação da matriz colonial de poder.


E

Os textos não acadêmicos constituem uma fonte importante para analisar a filosofia do período colonial.

O conceito de "lugar de fala", popularizado pela filósofa e ativista negra Djamila Ribeiro (1980 - ):


A

Limita a liberdade de expressão, sugerindo que somente pessoas pertencentes a determinados grupos têm autorização discursiva sobre determinados assuntos.


B

Defende a ideia de que experiências situadas não têm relevância nas discussões sobre desigualdade e justiça social.


C

Enfatiza a importância de reconhecer e valorizar as vozes de grupos historicamente marginalizados, entendendo que suas experiências são fundamentais para a compreensão de questões sociais.


D

Sugere que apenas acadêmicos e especialistas têm autoridade para falar sobre questões sociais complexas em detrimento do que é expresso pelos sujeitos das experiências sociais analisadas por esses especialistas.


E

Implica que todas as opiniões têm o mesmo peso, independentemente das experiências e contextos de quem as expressa. Nesse sentido, o lugar social do sujeito deve ser desconsiderado.

Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades — as nossas subjetividades. Então, vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não a pondo no mercado.


Ailton Krenak. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019 (com adaptações).


O pensador indígena autor do texto anterior relaciona temas contemporâneos com uma perspectiva interdisciplinar, articulando dimensões


A

políticas, religiosas e mercadológicas.


B

metafísicas, mercadológicas e tradicionais.


C

éticas, estéticas e políticas.


D

ontológicas, deontológicas e morais.


E

estéticas, mercadológicas e tradicionais.

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) foi uma importante instituição cultural ligada ao Ministério da Educação e Cultura. Criado em 1955 e extinto em 1964, o instituto possuía autonomia administrativa e plena liberdade de pesquisa e de cátedra. O ISEB tinha como objetivo o estudo, o ensino e a divulgação das ciências sociais com o intuito de aplicar as categorias e os dados dessas ciências à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira.


A respeito do ISEB e da reflexão filosófica elaborada no instituto, analise as afirmativas.


I. O ISEB foi um dos núcleos mais importantes de elaboração da ideologia “nacional-desenvolvimentista”.

II. Dentre os filósofos considerados isebianos históricos, um dos mais destacados naquele período foi o autor Miguel Reale.

III. Filósofos como Roland Corbisier identificavam como problemas da intelectualidade brasileira a inautenticidade da reflexão e a alienação cultural.

IV. Segundo Álvaro Vieira Pinto, a consciência crítica caracteriza-se por ter uma clara consciência dos fatores e condições que a determinam.

V. Paulo Freire foi um dos principais pensadores que, nos anos 1960, criticaram as análises dos isebianos.


Está CORRETO o que se afirma em:


A

II, IV e V.


B

I, III e IV.


C

I, II e III.


D

III, IV e V.


E

I, II e V.

Mundialmente conhecida por seu trabalho científico, a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999) é o tema de exposição em cartaz no CCBB de Belo Horizonte. O térreo do Centro Cultural recebe mais de 100 obras do Museu de Imagens do Inconsciente, lugar que recebeu e recebe as produções artísticas de pacientes psiquiátricos, e ainda peças, fotografias, vídeos e aquarelas. Com curadoria do Estúdio M’Baraká, a exposição mostra o posicionamento de Nise como uma das maiores cientistas do Brasil com reconhecimento internacional.


(Exposição sobre Nise da Silveira chega ao CCBB em Belo Horizonte — Português.)


Nise da Silveira recebeu inúmeros prêmios pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua vida e se tornou uma referência na psiquiatria brasileira, recebendo, também, reconhecimento internacional. Em sua vida e carreira:


A

Um dos métodos alternativos propostos e aceitos por Nise foi o uso da lobotomia, criada pelo médico Egas Moniz.


B

Foi fundadora na década de 1930 do Partido Comunista Brasileiro e participou da Intentona Comunista naquele mesmo ano.


C

Foi a primeira psiquiatra brasileira a utilizar o coma medicamentoso e convulsões induzidas por insulina, para tratar esquizofrenia.


D

Se posicionou contra métodos violentos, como o eletrochoque; usava tratamentos que colocavam os pacientes em contato com animais domésticos.

O pensamento decolonial objetiva problematizar a manutenção das condições colonizadas da epistemologia, buscando a emancipação absoluta de todos os tipos de opressão e dominação, ao articular interdisciplinarmente cultura, política e economia de maneira a construir um campo totalmente inovador de pensamento que privilegie os elementos epistêmicos locais em detrimento dos legados impostos pela situação colonial. Grosfoguel aponta que “é preciso descolonizar não apenas os estudos subalternos como também os pós-coloniais”.


(Apud ROSEVICS, 2017, p. 189.)


O racismo epistêmico é um dos racismos mais invisibilizados no “sistema-mundo capitalista/patriarcal/moderno/colonial”. O racismo em nível social, político e econômico é muito mais reconhecido e visível que o racismo epistemológico. Sobre essa questão, é correto afirmar que:


A

Embora hoje existam muitas leis rigorosas que regulem as produções e engajamento acadêmico para impedir tais discriminações, observarmos que ainda é possível detectar tais discrepâncias.


B

No Brasil, com o sistema de cotas, a abrangência acadêmica se tornou uma realidade e as atitudes hegemônicas em relação ao conhecimento têm sido vistas sob o discurso de objetividade e neutralidade.


C

Este racismo epistemológico opera privilegiando as políticas identitárias dos antigos colonizadores e a tradição de pensamento e pensadores dos homens ocidentais (que também distingue as mulheres).


D

Vemos que todas as disciplinas das instituições particulares (de elite), sem exceção, privilegiam os pensadores e teorias ocidentais, enquanto que as demais, por questões políticas, são obrigadas a democratizar.

Segundo Marilena Chauí (2000), Pitágoras é reconhecido como o fundador de uma corrente filosófica que se firma no pensamento de que a estrutura da realidade é do tipo:


A

irracional


B

matemática


C

verborrágica


D

espiritual

Segundo Marilena Chauí (2000), quando a conduta de um governante é imoral, manipuladora da boa-fé alheia para seu próprio proveito, essa liderança irá estabelecer um tipo de governo que pode ser considerado:


A

socrático


B

maquiavélico


C

humanista


D

positivista

Segundo MARCONDES, a denominação “filósofos pré-socráticos” é basicamente cronológica e designa os primeiros filósofos, que viveram antes de Sócrates (470-399 a.C.). São filósofos pré-socráticos, EXCETO:


A

Demócrito.


B

Tales de Mileto.


C

Aristóteles.


D

Pitágoras.

Marilena Chauí (2000) considera que a filosofia diz não às crenças e aos preconceitos do senso comum quando se começa a pensar o mundo estabelecido como se nunca o tivesse visto e se tem um pensamento crítico movido pela admiração e pelo:


A

espanto


B

marasmo


C

desinteresse


D

ditado

Em nós, é espontânea a tendência a ver o avesso das coisas. Se diz que qualquer personalidade mundial, com dois dias de Brasil, já não seria mais levada a sério. Entretanto, é no Brasil onde o falar, o escrever e o pensar vieram a ser as coisas mais formalizadas e rígidas que se conhece. Todo sujeito que sobe numa tribuna julga essencial, antes do mais, colocar-se na ponta dos pés e no alto de seus tamancos. Essencial trocar todas as palavras usuais por palavras que estranham nosso modo. Construir frases numa ordem que jamais usaria para pedir um cafezinho. E falar sobre coisas para as quais nos custa encontrar referência na realidade em volta. No intelectual brasileiro que discursa, triunfa o sério – expressão de uma classe privilegiada diante da multidão analfabeta. No homem sério, triunfa a Razão Ornamental.


GOMES, R. Crítica da Razão Tupiniquim. 10 ed. São Paulo: FTD, 1994. (adaptado).


De acordo com o texto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.


I. Para a formulação de um pensamento brasileiro fecundo, um dos caminhos a se buscar é o de ultrapassar a seriedade vazia, superficial e postiça.


PORQUE


II. O coloquialismo filosófico mostra-se como uma perspectiva promissora a nos guiar, sem que seja preciso importar formas e conceituações externas.


A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.


A

As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.


B

As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.


C

A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.


D

A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.


E

As asserções I e II são proposições falsas.

Chauí (2000) observa que o racionalismo, ao longo da história da filosofia, se opôs ao dogmatismo, entendido como uma opinião imposta por decreto ou transmitida por meio de uma doutrina, impondo uma verdade que se torna inquestionável. Por essa razão, o dogmatismo é uma atitude autoritária por não permitir dúvida, crítica e contestação e também submissa, porque se curva às opiniões estabelecidas, contrastando com o racionalismo que promove o pensamento:


A

livre


B

retraído


C

cultuado


D

obediente

Marilena Chauí, em sua obra “Convite à Filosofia”, elenca alguns princípios racionais que obedece a regras específicas. Sobre a questão, é INCORRETO afirmar:


A

Quando estamos diante de uma afirmativa de que o que é, é, estamos diante do princípio da identidade.


B

O princípio do terceiro excluído afirma que não há outra opção fora do isto ou aquilo.


C

O princípio da não contradição afirma que uma coisa ou ideia que se negam a si mesmas se autodestroem.


D

O princípio da razão suficiente, também denominado princípio da causalidade, afirma que tudo que existe e acontece tem uma razão para existir e acontecer e que esta razão não pode ser conhecida da nossa razão.

Segundo Aranha, em Filosofando: uma introdução à filosofia (São Paulo: Moderna, 2003), “ética é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral”. Não fazem parte dos temas tratados tradicionalmente pela ética:


I. Autonomia

II. Liberdade

III. Veracidade

IV. Lógica


É CORRETO o que se afirma em:


A

Apenas I.


B

Apenas II.


C

Apenas III.


D

Apenas IV.

Marilena Chauí em Convite à filosofia apresenta dez campos nos quais a filosofia se desenvolveu.


Qual, dentre esses campos, tem como característica específica realizar a análise crítica das ciências e de avaliar os métodos científicos?


A

Teoria do Conhecimento.


B

Epistemologia.


C

Lógica.


D

Ontologia.

 
 
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