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“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradi...

“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades – as nossas subjetividades. Então vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência”.


KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.


No excerto, Ailton Krenak articula uma crítica que pode ser compreendida, do ponto de vista filosófico, como parte do esforço de descolonização epistêmica, pois


A

questiona a ideia de que há apenas uma forma legítima de racionalidade.


B

defende a universalização de valores civilizatórios como ideal ético comum.


C

associa o progresso técnico à superação das limitações da cultura tradicional.


D

propõe a neutralidade das ciências como fundamento do respeito à diversidade.


E

trata a subjetividade como expressão universal da razão comum a todos os povos.