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Em nós, é espontânea a tendência a ver o avesso das coisas. Se diz que qualquer persona...

Em nós, é espontânea a tendência a ver o avesso das coisas. Se diz que qualquer personalidade mundial, com dois dias de Brasil, já não seria mais levada a sério. Entretanto, é no Brasil onde o falar, o escrever e o pensar vieram a ser as coisas mais formalizadas e rígidas que se conhece. Todo sujeito que sobe numa tribuna julga essencial, antes do mais, colocar-se na ponta dos pés e no alto de seus tamancos. Essencial trocar todas as palavras usuais por palavras que estranham nosso modo. Construir frases numa ordem que jamais usaria para pedir um cafezinho. E falar sobre coisas para as quais nos custa encontrar referência na realidade em volta. No intelectual brasileiro que discursa, triunfa o sério – expressão de uma classe privilegiada diante da multidão analfabeta. No homem sério, triunfa a Razão Ornamental.


GOMES, R. Crítica da Razão Tupiniquim. 10 ed. São Paulo: FTD, 1994. (adaptado).


De acordo com o texto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.


I. Para a formulação de um pensamento brasileiro fecundo, um dos caminhos a se buscar é o de ultrapassar a seriedade vazia, superficial e postiça.


PORQUE


II. O coloquialismo filosófico mostra-se como uma perspectiva promissora a nos guiar, sem que seja preciso importar formas e conceituações externas.


A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.


A

As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.


B

As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.


C

A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.


D

A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.


E

As asserções I e II são proposições falsas.