Imagem de fundo

Considere o seguinte argumento: Se eu tenho realmente duas mãos diante dos meus olhos a...

Considere o seguinte argumento:


Se eu tenho realmente duas mãos diante dos meus olhos agora, então é falso que eu seja apenas um cérebro sem mãos, mas plugado em um computador devidamente programado para causar em mim a sensação de ver agora duas mãos diante dos meus olhos. Ora, eu não estou justificado a crer que (portanto, não sei que) não sou apenas um cérebro plugado em um computador. Logo, eu não estou justificado a crer que (não sei que) tenho duas mãos diante dos meus olhos agora.


Com base nesse argumento é correto afirmar que ele


A

exemplifica as objeções do ceticismo radical em relação ao conhecimento proposicional. O argumento é formalmente válido, pressupõe apenas a lógica clássica e leva à inevitável conclusão de que eu não sei que tenho duas mãos.


B

caracteriza uma caricatura exagerada e vulgarizada da argumentação cética. Sugere-se com esse tipo de caricatura que as objeções céticas estejam apoiadas em falácias. Nesse caso em particular, poderíamos identificar uma falácia da irrelevância.


C

é formalmente inválido, mas torna-se válido pelo acréscimo do princípio de fechamento epistêmico, segundo o qual, se P implica Q e eu sei que P, então eu sei que Q. Assim, o argumento cético acima seria um entimema do argumento válido que inclui o fechamento epistêmico como premissa.


D

exemplifica a estratégia cética de oferecer cenários alternativos nos quais a proposição em questão seja falsa, mas tudo pareça ao agente como se ela fosse verdadeira. Essa estratégia é bastante limitada, pois não existem cenários alternativos desse tipo para verdades matemáticas, por exemplo.


E

é incorreto, pois a primeira premissa é falsa; o fato de eu ter duas mãos não implica que eu não seja um cérebro sem mãos plugado em um computador. Isso ilustra o caráter não dogmático da argumentação cética. O cético não assume a verdade dessa implicação, apenas argumenta a partir dela.