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Suponhamos uma bola de bilhar sobre uma mesa, e uma outra bola movendo-se rapidamente em sua direção. Elas se chocam; e a bola que antes estava em repouso ganha movimento. Este exemplo da relação de causa e efeito é tão perfeito quanto qualquer outro de que tomemos conhecimento pela sensação e pela reflexão. Vamos, pois, examiná-lo. É evidente que as duas bolas se tocaram antes que o movimento fosse comunicado, e que não houve intervalo entre o choque e o movimento. A contiguidade no tempo e no espaço é, portanto, um requisito da operação de qualquer causa. É também evidente que o movimento que constituiu a causa é anterior ao movimento que resultou como efeito. A prioridade temporal é, portanto, um outro requisito de causa. Mas isso não é tudo. Tomemos outras bolas do mesmo tipo em uma situação semelhante; veremos que o impacto de uma sempre produz efeito na outra. Eis, portanto, um terceiro requisito, ou seja, uma conjunção constante entre causa e o efeito.
HUME, D. Tratado da natureza humana. São Paulo, UNESP, 2000, p. 687 (adaptado).
Considerando o texto apresentado, avalie as afirmações a seguir.
I. Hume busca o fundamento das nossas inferências causais e conclui que o que nos faz inferir o efeito da causa é a razão; portanto, há demonstração dedutiva da relação entre causa e efeito.
II. Hume crê que as expectativas em torno da ocorrência de certos efeitos a partir da ação de causas na natureza devem-se a três fatores: contiguidade no tempo e no espaço, anterioridade no tempo e conjunção constante.
III. Hume contrariou a tese corrente à época que afirmava haver uma conexão necessária entre causa e efeito e que caberia aos filósofos, a partir do método correto, desvelar esta verdade metafísica.
É correto o que se afirma em
I, apenas.
III, apenas.
I e II, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.