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Com base nas proposições desenvolvidas por Judith Butler em “Problemas de Gênero” (2018) e “Desfazendo Gênero” (2022), assinale a alternativa que melhor expressa a articulação entre performatividade, crítica ontológica e política do reconhecimento na constituição do sujeito de gênero no interior da teoria queer.
A performatividade de gênero, tal como formulada por Butler, implica a recusa de toda forma de agência subjetiva, uma vez que o sujeito é integralmente constituído pelas normas discursivas que o precedem, não havendo fissura possível entre norma e repetição.
Em sua virada ética e política posterior, Butler abandona a crítica ontológica da identidade e adota uma concepção universal de humanidade baseada na coabitação dos corpos e na solidariedade abstrata entre sujeitos já reconhecidos como inteligíveis.
A teoria queer formulada por Butler converge com o humanismo existencialista ao propor que o sujeito se constitui pela liberdade radical de se autodefinir, sendo a identidade de gênero uma escolha existencial que se realiza fora das mediações normativas.
Butler propõe que o gênero, embora performativo e historicamente construído, deve ser fixado por parâmetros reconhecíveis pelo Estado para que a luta política por cidadania plena possa ser eficaz, mesmo que isso implique certa renaturalização estratégica da identidade.
A crítica butleriana à ontologia do gênero revela que a inteligibilidade do sujeito não decorre de um fundamento anterior à linguagem, mas da repetição reconfigurável de normas reguladoras, sendo que a agência se exerce precisamente na possibilidade de reinscrever e subverter tais normas.