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A colonialidade diz respeito às condições de estabelecimento do capitalismo como padrão de funcionamento mundial, operando através da “imposição de uma classificação racial/étnica da população do mundo”, incluindo um conjunto de dispositivos que recobre, entre outros: o trabalho; o meio ambiente e os seus recursos de produção; o sexo; a subjetividade; e a autoridade e os seus instrumentos de regulação das relações sociais. A colonização implicou a desconstrução da estrutura societal, reduzindo os saberes dos povos colonizados à categoria de crenças ou pseudossaberes. Essa hegemonia, no caso da colonização do continente africano, passou a desqualificar e invisibilizar os saberes tradicionais, proporcionando uma completa desconsideração do pensamento filosófico desses povos. Neste sentido, estamos diante do racismo epistêmico.
(Renato Noguera. O Ensino de Filosofia e a Lei no 10.639, 2011. Adaptado)
A partir do excerto, uma consequência filosófica do racismo epistêmico é a
dissolução das fronteiras entre ciência e tradição, assegurando idêntico valor a todas as formas de saber.
consolidação de um ambiente intelectual que favorece a convivência harmônica entre distintas tradições de saber.
transformação do pensamento europeu em critério normativo para definir o que conta como conhecimento válido.
consolidação de epistemologias não ocidentais, convertidas em referenciais centrais na filosofia acadêmica.
assimilação dos conhecimentos africanos e indígenas como complementares ao desenvolvimento da racionalidade moderna.