Questões de Concurso sobre Correntes Filosóficas e Autores

 
 
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Determinada concepção epistemológica sustenta que o conhecimento científico tem sua origem na experiência sensível, sendo o sujeito entendido como uma “tábula rasa”, que adquire ideias a partir da observação e da percepção dos fenômenos. A validade da ciência, nessa visão, depende da acumulação de dados empíricos provenientes da realidade observável. Assinale a alternativa que corresponde a essa concepção.


A

Empirista


B

Positivista


C

Construtivista


D

Crítica


E

Racionalista

Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.


(Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina, 2002)


No excerto, Galeano afirma que a América Latina “se especializou em perder”. Tal afirmação




A

traduz a posição histórica latino-americana que propiciou o enriquecimento de seus invasores


B

sugere avanços de autonomia econômica, suficientes para reduzir a condição de dependência.


C

decorre de trocas equilibradas, em que ganhos e perdas se compensam entre as partes envolvidas.


D

indica uma divisão internacional do trabalho entendida como complementaridade natural de funções.


E

expressa o sucesso das culturas locais, capazes de gerir de modo autônomo seus recursos.

Ano: 2025
Prova: FGV - SEEC RN - Professor - Área: Filosofia - 2025

A maioria das proposições e questões que se formularam sobre temas filosóficos não são falsas, mas contrassensos. Por isso, não podemos de modo algum responder a questões dessa espécie, mas apenas estabelecer seu caráter de contrassensos. A maioria das questões e proposições dos filósofos provém de não entendermos a lógica de nossa linguagem.


WITTGENSTEIN, L. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.


O trecho acima expressa um ponto central da filosofia do primeiro Wittgenstein. Segundo a tese apresentada, as proposições filosóficas


A

ganham validade a partir de uma contextualização empírica.


B

são um reflexo de condições socioculturais determinadas.


C

devem ser avaliadas a partir de sua utilidade prática.


D

expressam as estruturas inatas da linguagem humana.


E

perdem a validade ao ignorarem os limites da linguagem.

Considerando algumas ideias fundamentais de diferentes escolas filosóficas e seus representantes históricos, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando cada pensador ou tradição filosófica à sua descrição.


Coluna 1

1. George Berkeley.

2. René Descartes.

3. John Locke.

4. Marco Aurélio.

5. Tomás de Aquino.


Coluna 2

( ) A tentativa de integrar a fé cristã com os princípios da lógica aristotélica, demonstrando certas verdades divinas pela razão.

( ) Um método para atingir o conhecimento baseado na razão, utilizando a dúvida como ponto de partida para estabelecer verdades fundamentais.

( ) A defesa de que todo conhecimento provém da experiência sensorial, sendo a mente uma “tábula rasa” ao nascer.

( ) Uma filosofia estoica, centrada na harmonia com a razão e no cultivo da virtude como caminho para a felicidade.

( ) Uma visão da realidade em que a matéria é percebida exclusivamente como uma construção da mente, em oposição à existência independente. A


ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

5 – 2 – 3 – 4 – 1.


B

1 – 3 – 2 – 4 – 5.


C

2 – 5 – 3 – 1 – 4.


D

3 – 2 – 4 – 1 – 5.


E

4 – 5 – 1 – 2 – 3.

Na tradição filosófica hermenêutica, a circularidade é objeto de reflexão importante. Nesse sentido, o círculo hermenêutico deve ser compreendido como:


A

O princípio basilar que guia a lógica da experiência hermenêutica.


B

Uma forma de petição de princípio criticada por Martin Heidegger.


C

A aplicação de um instrumental matemático às teses da hermenêutica.


D

Uma incorporação da perspectiva filosófica analítica pela tradição hermenêutica.


E

O grande equívoco filosófico a ser evitado em esforços de intepretação textual.

O termo “bioética” surgiu no início da década de 1970 como parte de uma tentativa de integrar a perspectiva humanista à atividade científica. Parte dessa preocupação era a de superar a dicotomia entre aquilo que é e aquilo que deve ser.


Essa dicotomia tende a manter separados


A

a neutralidade intrínseca à ciência e os preconceitos culturais impostos pela sociedade.


B

o que já foi alcançado pela atividade científica e o que ainda permanece no horizonte das pesquisas.


C

os fatos investigados pela ciência e os valores éticos de interesse para a vida humana.


D

o desenvolvimento tecnológico e as limitações impostas pelo desconhecimento científico.


E

a busca pela verdade e a aceitação das incertezas próprias das ciências humanas.

Leia os dois textos abaixo:


Texto I


Se considerasse somente a força e o efeito que dela resulta, diria: quando um povo é obrigado a obedecer e o faz, age acertadamente; assim que pode sacudir esse jugo e o faz, age melhor ainda, porque, recuperando a liberdade pelo mesmo direito por que lha [sic] arrebataram, ou tem ele o direito de retomá-la ou não o tinham de subtraí-la. A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base para todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se, portanto, em convenções.


ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores). p. 53-54.


Texto II


Para bem compreender o poder político e derivá-lo de sua origem, devemos considerar em que estado todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordenar-lhes as ações e regular-lhes as posses e as pessoas conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei da natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem.


(LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. 3. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. [Coleção os Pensadores]. p. 35.)


Com base nos textos apresentados e nos fundamentos teóricos de seus autores, assinale a alternativa correta.


A

Ambos os textos defendem que o poder político legítimo é resultado de uma força natural que se impõe aos homens, sendo sua aceitação um dever racional.


B

Rousseau e Locke compartilham a visão de que a origem da autoridade política reside na natureza humana e em suas inclinações racionais, sem necessidade de pactos formais.


C

Para Rousseau, diferentemente de Locke, o contrato social não busca preservar a liberdade natural dos indivíduos, mas substituí-la por uma liberdade civil, fruto de um pacto coletivo.


D

O conceito de liberdade, para ambos os autores, se confunde com a ausência total de restrições, o que justifica uma rejeição comum ao papel da lei na organização social.


E

Ambos os autores afirmam que a desobediência civil é ilegítima, pois rompe com a estabilidade do contrato social ou com a ordem natural estabelecida.

“Seria conveniente observar que o ceticismo, como filosofia, não é simplesmente dúvida, mas o que se pode chamar dúvida dogmática. O homem de ciência diz: ‘Penso que isto é assim e assim, mas não tenho certeza’. O homem de curiosidade intelectual diz: ‘Não sei como é, mas espero descobrir’. O filósofo cético diz: ‘Ninguém sabe, e ninguém poderá jamais saber’”.


RUSSEL, Bertrand. História da filosofia ocidental – livro primeiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1957.


Diante da diferenciação apresentada por Russell, caracteriza-se como um princípio cético:


A

o dualismo mente e corpo.


B

o imperativo categórico.


C

a suspensão do juízo.


D

o ato e a potência.


E

a reminiscência.

Hans Jonas trata da sempre crescente expansão da tecnologia como um trunfo que aumenta exponencialmente o poder transformador da humanidade e, ao mesmo tempo, aprisiona o homem em uma determinada mentalidade – uma certa visão da natureza e uma compreensão cada vez mais limitada de si mesmo.


“O triunfo do homo faber sobre seu objeto externo significa, ao mesmo tempo, o seu triunfo na constituição interna do homo sapiens, do qual ele outrora costumava ser uma parte servil.”

“[...] O próprio homem passou a figurar entre os objetos da técnica. O homo faber aplica sua arte sobre si mesmo e se habilita a refabricar inventivamente o inventor e confeccionador de todo o resto.”


Fonte: (JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006. p. 43 e p. 57, respectivamente).


De acordo com o autor d’O princípio responsabilidade, as consequências que já estariam delineadas no futuro próximo da humanidade, uma vez assumidos os triunfos da técnica e da compreensão da natureza humana como homo faber em vez de homo sapiens, são:


A

a expansão exagerada da expectativa de vida humana; o controle do nosso comportamento através de agentes químicos ou implantação de eletrodos; a manipulação genética de gerações futuras.


B

o fim da fome e da pobreza; a diminuição da poluição ambiental graças à troca da matriz energética por uma mais limpa e sustentável; o início de um período de paz duradouro entre as nações.


C

a exploração de recursos espaciais e a colonização de outros planetas; uma melhor preservação dos recursos naturais terrestres para as futuras gerações; a utilização da energia solar como fonte de energia global.


D

a expansão da internet e da inteligência artificial para todos os aparelhos eletrônicos; a redução geral das jornadas de trabalho devido à maior produtividade das tecnologias inteligentes; a criação de uma rede de vigilância onipresente.


E

o aprofundamento das desigualdades econômicas entre as nações; a alienação cada vez maior do trabalhador em relação ao seu trabalho; o crescimento exponencial do lucro e do poder das empresas de tecnologia.

O mundo é a minha representação. — Esta proposição é uma verdade para todo ser vivo e pensante, embora só no homem chegue a transformar-se em conhecimento abstrato e refletido.


SCHOPENHAUER, A. O mundo como vontade e representação. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.


Segundo Schopenhauer, afirmar que o mundo é representação, significa que o mundo é


A

dependente da relação entre o sujeito que percebe e os objetos percebidos.


B

a soma das percepções sensíveis organizadas pela experiência prática.


C

formado pelas ideias inatas presentes por intervenção divina na mente humana.


D

o conjunto das coisas em si, que se revelam diretamente à consciência.


E

uma ilusão que deve ser superada pela razão para se alcançar o verdadeiro conhecimento.

O lema “Ordem e Progresso”, presente na bandeira brasileira desde 1889, está diretamente ligado a uma corrente filosófica cuja máxima original era: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim” e que influenciou fortemente os republicanos no final do século XIX. Essa corrente é:


A

O Idealismo alemão, formulado por filósofos como Hegel, que defendia a síntese histórica das ideias. A frase está na “Lógica” de Hegel.


B

O Racionalismo cartesiano, centrado na dúvida metódica como base para o conhecimento. A citação encontra-se no “Discurso do Método”.


C

O Positivismo francês, fundado por Auguste Comte, a frase do enunciado é um trecho de seu “Catecismo Positivista”.


D

O Empirismo britânico, representado por Locke e Hume, que defendia a experiência como origem do saber. Seu lema está nos “Dois Tratados sobre o Governo” de Locke.


E

O Existencialismo, corrente do século XX ligada a Sartre e à liberdade humana. A frase está escrita como fala de um personagem de sua obra “A Náusea”.

De acordo com os PCNs e a OCEM, traduzir o saber filosófico significa tornar os conceitos e questões filosóficas acessíveis e relevantes para os alunos, conectando-os às suas vivências e ao contexto contemporâneo. Essa tradução deve respeitar os objetivos pedagógicos de promover a reflexão crítica, o diálogo filosófico e a formação de sujeitos autônomos. Com base nos documentos citados, assinale a alternativa correta.


A

A contextualização dos conceitos filosóficos em situações práticas e questões do cotidiano, incentivando o diálogo crítico e reflexivo, é uma prática essencial recomendada pelos documentos para o ensino de filosofia na Educação Básica.


B

Estruturar o currículo de acordo com a história da filosofia, organizando as escolas filosóficas e seus principais pensadores de forma cronológica, assegura o desenvolvimento das habilidades críticas dos alunos.


C

A exposição de problemas filosóficos teóricos, sem relação com as vivências e cotidiano dos alunos, é suficiente para garantir uma formação filosófica que promova o pensamento crítico no Ensino Médio.


D

As diretrizes nacionais para o ensino de Filosofia recomendam a substituição de textos filosóficos por resumos didáticos, visando facilitar a compreensão e eliminar a complexidade das obras originais.


E

A apresentação dos principais conceitos filosóficos deve focar na reprodução literal dos pensamentos clássicos, garantindo que os alunos assimilem as teorias originais sem modificações.

As origens do que hoje se compreende por filosofia analítica remontam ao século XIX e ao trabalho do matemático e filósofo alemão Friedrich Ludwig Gottlob Frege. Na primeira metade do século XX, os desenvolvimentos do campo analítico foram impulsionados por instituições e pensadores de diferentes regiões e países. Alguns grupos contribuíram para a promoção da filosofia analítica. Estão entre eles:


I. Escola de Frankfurt.

II. Analistas de Cambridge.

III. Escola dos Annales.

IV. Circulo de Berlim.

V. Escola de Leópolis-Varsóvia.


Quais estão corretos?


A

Apenas l e IV.


B

Apenas II e III.


C

Apenas I, Il e IV.


D

Apenas I, III e V.


E

Apenas II, IV e V.

A respeito da Teoria do Conhecimento, leia o excerto a seguir:


Apresenta-se como uma alternativa à epistemologia fundacionista. Entende-se que nada conta como razão para se manter uma crença, a não ser outra(s) crença(s). Em um sistema coerente, as crenças são consistentes entre si e interligadas, recebendo e emprestando apoio, em maior ou menor grau. Elas se associam e se sustentam mutuamente, como uma balsa que flutua livre de âncora e de amarras.


Após leitura e análise do trecho acima, podemos relacioná-lo ao:


A

Fundacionismo.


B

Racionalismo.


C

Empirismo.


D

Iluminismo.


E

Coerentismo.

De acordo com Reale e Antiseri, há três momentos da patrística, a saber:

I. Dos padres apostólicos do século I;

II. Dos padres apologistas do século II;

III. A patrística propriamente dita a partir do século III.

O que respectivamente caracteriza cada um desses períodos?


A

I. Autores ligados ao espírito dos apóstolos; II. Alguns autores valorizam e outros desprezam a filosofia; III. Predomínio do platonismo.


B

I. Autores que usavam o Antigo Testamento; II. Os autores têm uma visão positiva da filosofia; III. Predomínio do neoplatonismo.


C

I. Autores que usavam o Novo Testamento; II. Os autores são indiferentes à filosofia; III. Predomínio do franciscanismo.


D

I. Os 12 apóstolos de Jesus Cristo; II. Os autores têm uma visão negativa da filosofia; III. Predomínio do aristotelismo.

Ano: 2025
Prova: FGV - SEEC RN - Professor - Área: Filosofia - 2025

O Pirronismo, vertente do ceticismo antigo presente no período helenístico, é caracterizado, ao lado de outras escolas desse período, como um exercício espiritual.


Baseava-se na prática da epoché como caminho para alcançar a ataraxia, ou seja,


A

a aplicação de uma disciplina de vida para fazer o máximo proveito dos pequenos prazeres.


B

o uso de jogos dialéticos como modo de se aproximar das essências dos seres.


C

a meditação sobre a totalidade como caminho para uma consciência de participação no cosmos.


D

o afastamento das atividades públicas para a consecução da independência individual.


E

a prática da suspensão do juízo como forma de alcançar a tranquilidade do ânimo.

Analise o esquema abaixo:


Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: www.filorbis.pt/filosofia/.


Com base no exposto, é correto afirmar que o esquema se relaciona com:


A

Francis Bacon.


B

Thomas Hobbes.


C

René Descartes.


D

David Hume.


E

Immanuel Kant.

A ética da responsabilidade desenvolvida pelo pensador alemão Hans Jonas fundamenta-se, mais especificamente, na formulação do imperativo categórico:


A

aja de tal maneira que o livre uso do teu arbítrio possa coexistir com a liberdade de cada um, segundo uma lei universal.


B

aja apenas segundo uma máxima tal para que possas, ao mesmo tempo, querer que ela se torne uma regra universal de conduta.


C

aja de tal modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana na terra.


D

aja de tal modo que os efeitos da tua ação possam produzir uma maior quantidade de bem para um maior número de pessoas.

Carl Mitcham distingue quatro dimensões ou manifestações da tecnologia. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma das dimensões apontadas pelo autor.


A

Tecnologia como objetos.


B

Tecnologia como um modo de conhecimento.


C

Tecnologia como uma forma específica de atividade.


D

Tecnologia como volição, isto é, como atitude perante a realidade.


E

Tecnologia como poder.

“Todo esforço que tenha a razão como princípio não tem outro objeto senão o conhecimento; e a alma, na medida em que usa a razão, não julga que nenhuma coisa lhe seja útil, mas apenas aquilo que leva ao conhecimento”. Na citação acima, Spinoza afirma a importância da razão no âmbito do saber teórico. No que diz respeito à sua filosofia prática, o filósofo defende que:


A

A servidão humana consiste na submissão a nossas paixões, ao passo que a liberdade humana consiste na libertação por meio do intelecto.


B

As paixões são governadas pelo conflito que delas resulta, isto é, o resultado das ações humanas é uma consequência da prevalência de uma emoção sobre a outra.


C

A razão humana somente é capaz de determinar as ações se o sujeito tiver acesso às propriedades conativas da mônada individual.


D

O conhecimento teórico não guarda relação estreita e necessária com o conhecimento prático, de modo que, se a razão é fundamental para conhecer, não o é para agir.


E

O bem supremo da alma humana é a felicidade, e a suprema virtude da alma humana é auxiliar o próximo.

 
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