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A respiração é um processo automático e involuntário de vital importância, uma vez que visa a manutenção das pressões parciais de O2 e CO2 no sangue e nos alvéolos. A respiração adequada é feita por via nasal, permitindo que o ar inspirado pelo nariz seja purificado, filtrado, aquecido e umidificado antes de chegar aos pulmões. Esse modo respiratório protege as vias aéreas superiores, sendo também responsável pelo desenvolvimento adequado do complexo craniofacial. A respiração oral pode modificar o padrão de crescimento da face e ocasionar alterações morfofuncionais em todo o organismo. Várias características físicas são atribuídas a esses pacientes e as alterações do esqueleto dentocraniofacial, são descritas desde o século XIX. Sobre a função da respiração e a atuação fonoaudiológica, assinale afirmativa correta.
As alterações da musculatura e estruturas orofaciais resultam em prejuízos e/ou ineficiência das funções de fala, mastigação e deglutição. A fala pode ser alterada em consequência de posição anteriorizada de língua em fonemas velares. Podem ocorrer imprecisões articulatórias em fonemas alveolares, palatais e nas líquidas. Além disso, pode-se observar presença de ceceio anterior ou lateral.
Respiradores orais, principalmente nos quadros de hipertrofia de adenoide, podem apresentar perda auditiva mista moderada e desempenho inferior nas habilidades do processamento auditivo, quando comparados às crianças com padrão respiratório adequado, principalmente na faixa entre 5 e 12 anos, período de maior desenvolvimento das habilidades auditivas. De maneira geral, não se observa flutuação dos limiares auditivos e prejuízos na aprendizagem.
As consequências da respiração oral podem ser rigidez de estruturas faciais como lábios, que pode resultar em lábio superior hiperdesenvolvido e inferior espesso e com eversão, dificultando o selamento labial. A língua pode se apresentar flácida, modificando a postura habitual de repouso; porém, sem alterar a eficiência na realização de suas funções. Os músculos bucinadores, masseteres e temporais podem apresentar hipertonia, enquanto o músculo mentual apresenta hipofunção.
A escolha de exercícios fonoaudiológicos deve estar relacionada aos músculos orofaciais importantes para adequar a função orofacial alterada. Exercícios isométricos podem melhorar a mobilidade dos músculos; são indicados para o aumento de oxigenação e da amplitude do movimento e são realizados com velocidade. Exercícios isotônicos visam ao aumento muscular e de força e devem ser realizados de maneira lenta e mantendo a contração. Exercícios isocinéticos, de contrarresistência, promovem trabalho intenso e, consequentemente, aumento de força muscular e mobilidade.
As causas mais frequentes da respiração oral são as obstruções nasais e/ou faríngeas. Dentre as obstruções nasais estão a hipertrofia de cornetos, desvio de septo, atresia de coanas, pólipos nasais e rinite. A mastigação pode se apresentar ruidosa, desordenada, rápida e com vedamento labial ineficiente. A deglutição pode sofrer adaptação como projeção anterior de língua, participação da musculatura perioral e movimentos de cabeça e pescoço. O tratamento da respiração oral pode ser realizado por meio de treinos de percepção e conscientização, tipo/modo respiratório e exercícios miofuncionais.