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A realização da traqueostomia em um paciente neurogênico e aos submetidos às cirurgias de câncer de cabeça e pescoço tem como objetivo garantir a respiração do paciente nos casos de edema laríngeo, quantidade excessiva de secreção pulmonar, necessidade de ventilação mecânica ou por risco de aspiração pulmonar. Porém, a realização desta acarreta consequências à deglutição. Quais prejuízos a cânula de traqueostomia pode ocasionar na dinâmica da deglutição?
A presença da cânula traqueal causa tracionamento da traqueia para baixo, fixação traqueocutânea e tem como resultado o aumento da excursão laríngea, o que influencia na proteção das vias aéreas, na propulsão do bolo alimentar, dificulta a abertura da transição faringoesofágica.
O uso de cânulas com cuff insuflado podem levar à obstrução esofágica, promovendo acúmulo de alimento na transição faringoesofágica, facilitando as aspirações traqueais após a deglutição. Aumenta as estases em região de rinofaringe, podendo também ocasionar penetração laríngea e/ou aspirações traqueais.
Sua presença pode acarretar alterações vocais, no processo de umidificação, aquecimento e filtragem do ar, no olfato e no paladar. O desvio do ar expirado pela cânula dificulta a limpeza das secreções laríngeas e altera os mecanismos de defesa, como a tosse.
A presença da cânula de traqueostomia por longos períodos promove a redução da sensibilidade laríngea. Acarreta a perda da pressão negativa, modificando a resistência do fluxo aéreo, podendo alterar a coordenação do fechamento glótico.