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“No atual contexto [...], autores libertários têm sido (re)descobertos; não mais (ou não necessariamente) “museologicamente”, como “achados arqueológicos” destinados a alguma exposição em algum cantinho do “museu do pensamento crítico”, mas sim como “armas”, cuja letalidade, mesmo no caso de autores do século XIX e início do século XX como Reclus e Kropotkin, ainda não se perdeu por completo.”
entre os contemporâneos da Geografia Clássica, apesar de La Blache ter forte afinidade ideológica com tais autores, já que eram totalmente identificados com a ordem político-social instituída, ele não os incorporou em suas obras devido à competitividade catedrática.
os autores tiveram uma larga produção estritamente associada à descrição de áreas, pendente para o lado da Geografia Física – o que, portanto, não consegue fornecer respostas aos problemas e às necessidades contemporâneas, de uma visão mais integrada e relacional.
as tradições e matrizes político-filosóficas libertárias, como o anarquismo e o autonomismo, permaneceram, durante os anos 70 e 80, bastante negligenciadas no interior da “Geografia Radical”, que seguiu um viés marxista e era crítico às proposições mais “subversivas”.
sua hiper valorização da ciência moderna e do método científico fez com que fossem incorporados pela Geografia Teorético-Quantitativa de forma superficial, dadas as convicções no progresso da humanidade a partir de um racionalismo crítico.
deixaram um legado de obras pouco extenso e aprofundado, mesmo que detentor de uma forte sensibilidade espacial – o que justifica a marginalidade do seu pensamento na Ciência Geográfica até meados do século XX e sua rarefeita utilização apenas a partir dos anos 70.