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“A paisagem nada tem de fixo, de imóvel. Cada vez que a sociedade passa por um processo de mudança, a economia, as relações sociais e políticas também mudam, em ritmos e intensidades variados. A mesma coisa acontece em relação ao espaço e à paisagem que se transforma para se adaptar às novas necessidades da sociedade.” (SANTOS, 1997, p. 37)
SERPA, A. Milton Santos e a paisagem: parâmetros para a construção de uma crítica da paisagem contemporânea. Paisagem Ambiente: Ensaios – N. 27 – São Paulo – p. 131 -138. 2010.
De acordo com o texto, a paisagem resulta sempre de:
um processo de acumulação, mas é, ao mesmo tempo, contínua no espaço e no tempo, é una sem ser totalizante, é compósita, pois resulta sempre de uma mistura, um mosaico de tempos e objetos adaptados.
um conjunto de formas sem funções em constante transformação, seus aspectos “visíveis”, mas, por outro lado, as formas e as funções indicam a estrutura espacial, em princípio, “invisível”, e resulta do casamento da paisagem com a sociedade.
uma crítica contemporânea, sem uma crítica consistente do espaço e do todo estrutural. É da unidade orgânica entre o sistema de objetos (sistema material) e o sistema de ações (sistemas de valores) que pode surgir os parâmetros dessa crítica.
uma constituição técnica, constituída de objetos técnicos que vão desempenhar papéis específicos na vida social. Esses papéis são absolutos porque vão sempre depender das formas de organização social.
um olhar específico de uma totalidade da qual fazem parte “através de uma articulação que é funcional, mas não espacial” ou, em outras palavras, realizações de “um processo geral, universal”.