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Em certas narrativas geográficas, diferenças entre sociedades e grupos são convertidas em posições sucessivas de uma única trajetória: alguns apareceriam como “adiantados” e outros como “atrasados”. Essa operação temporaliza a diferença e reduz o espaço a uma superfície previamente dada. Para superar esse procedimento, a espacialidade precisa representar a coexistência efetiva de trajetórias distintas, sem tratá-las como etapas de uma mesma história. Assinale a formulação que reúne as consequências centrais dessa concepção.
O espaço é a esfera da heterogeneidade e da coetaneidade, mas as relações de poder constituem processos temporais que apenas se projetam sobre localizações já formadas, sem participar de sua produção.
O espaço é a esfera das relações e das negociações, cuja configuração se completa quando a multiplicidade alcança uma ordem estável capaz de encerrar antagonismos e consolidar uma totalidade espacial coerente.
O espaço é a esfera da heterogeneidade; é a esfera das relações, negociações, práticas de compromisso e poder sob todas as suas formas; e é a esfera da coetaneidade, permanecendo para sempre incompleto e em produção.
O espaço é a coexistência de trajetórias autônomas, cuja diferença decorre da posição relativa que ocupam; as relações entre elas modificam os lugares, mas não constituem a própria espacialidade.
O espaço é a dimensão social dos lugares concretos, enquanto a simultaneidade de trajetórias em escala global deve ser ordenada temporalmente para que diferenças possam ser comparadas e explicadas.