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A Argentina, com o acúmulo de divisas ocorrido durante a II Guerra Mundial, quando sua produção agrícola oferece alimentos necessários para uma combalida Europa, deixa de ser devedora no mercado mundial e adquire o status de credora. É neste clima geral de otimismo nacional que surge a figura de Perón e tem origem o peronismo ou justicialismo, que irá marcar permanentemente a história política dos argentinos. Em linhas gerais, pode-se caracterizar o Peronismo, quando do seu nascimento, da seguinte forma:
Tratava-se de uma política fortemente inspirada na socialdemocracia, buscando uma via democrática para a realização de metas do socialismo real, porém sem os riscos de ataques à democracia e às liberdades.
Claramente inspirado no leninismo, o justicialismo argentino representou uma vertente latino-americana para o socialismo, sendo o precursor de inflexões continentais à esquerda, como a Revolução Cubana e o Bolivarianismo.
O peronismo representou uma ruptura com o caudilhismo latino-americano, buscou operar estritamente dentro de princípios democráticos e constitucionais, com organizações sindicais flexíveis e sem o controle do Estado.
O Peronismo (ou Justicialismo) buscou inspiração nas doutrinas da Igreja e fascistas, fundamentou-se em uma política populista e nacionalista, buscando sustentação social em três pilares: o operariado, os militares e a Igreja.
O Justicialismo peronista buscou romper com a tradição latino-americana dos frequentes golpes militares e, se afastando do Exército, buscou apoio nos sindicatos livres e no Poder Judiciário.