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“Qualquer que tenha sido a razão do avanço britânico, ele não se deveu à superioridade tecnológica e científica. Nas ciências naturais os franceses estavam seguramente à frente dos ingleses, vantagem que a Revolução Francesa veio acentuar de forma marcante, pelo menos na matemática e na física, pois ela incentivou as ciências na França enquanto que a reação suspeitava delas na Inglaterra. Até mesmo nas ciências sociais os britânicos ainda estavam muito longe daquela superioridade que fez - e em grande parte ainda faz - da economia um assunto eminentemente anglo-saxão; mas a revolução industrial colocou-os em um inquestionável primeiro lugar.”
(HOBSBAWM, Eric. Era das Revoluções (1789 – 1848) São Paulo, Companhia das Letras,)
O grande destaque dos britânicos no processo conhecido classicamente como Revolução Industrial é inegável, como afirma o consagrado Eric Hobsbawm, e ocorreu devido:
A Grandes investimentos implementados pelo governo britânico, no intuito de promover melhoria das tecnologias voltadas para a produção de bens de consumo duráveis.
Ao forte desempenho de uma indústria algodoeira, que não exigia uma tecnologia tão apurada, contando com máquinas rudimentares, nem mesmo com a qualificação da mão-de-obra, sendo executada até por crianças.
À eficiente política de deslocamento da população do campo para a cidade, que buscava atender as necessidades das mais diversas indústrias, com o fomento de trabalhadores capacitados.
À aplicação de capitais que foram acumulados durante o período da Expansão Marítima e Comercial europeia, aliada a uma forte legislação trabalhista, que proporcionava a qualificação do proletariado britânico.
Ao esforço da classe burguesa e do estado inglês em alinhar suas ideologias para apoiar a indústria têxtil, que contava, por sua vez, com um operariado bastante organizado (trade unions) e consciente.