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“Escravidão negra, latifúndio e monocultura. No início da...

“Escravidão negra, latifúndio e monocultura. No início da década de 1960 afirmava-se ser esse o conjunto de fatores em que se assentara a economia brasileira do século XVI ao XIX, como resultado de sua forma de integração ao mercado mundial na qualidade de área subsidiária da Europa, produtora de artigos tropicais e, posteriormente, de metais preciosos.”


(CARDOSO, Ciro Flamarion Santana. O Trabalho na Colônia. In: LINHARES, Maria Yedda (org.).

História Geral do Brasil. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000, p. 95)


No capítulo intitulado O Trabalho na Colônia, Ciro Cardoso desmistifica uma série de interpretações clássicas a respeito da economia e sociedade brasileira nos quatro primeiros séculos de colonização e povoamento. Acerca disso, Ciro Cardoso:


A

informa que os estudos locais e regionais que analisam a distribuição das propriedades de escravos negros – na Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro – comprovaram a escassa presença de pequenas e médias propriedades detentoras de cativos, enquanto era significativo o número de senhores de grandes terras detentores de grandes plantéis.


B

informa que a escassa disponibilidade e escassa possibilidade de acesso às terras estimulou, de forma considerável, o trabalho compulsório na colônia, pois concentrou capital nas mãos de grandes proprietários, gerando condições para que financiassem, a princípio, “guerras justas” para o apresamento de indígenas e, posteriormente, o tráfico de escravos.


C

apresenta vários fatores que contribuíram para fomentar o trabalho compulsório no Brasil colônia, estando, entre eles, a inserção dessa porção do império português ao mercado mundial; a forte tributação incidente sobre os produtos e o comércio; a atuação dos clérigos, justificando essa modalidade de trabalho e; a constituição de um sistema de estratificação sócio étnica marcada pela concepção de inferioridade do índio e do negro.


D

demonstra não ser correta a hipótese de que a procura por escravos africanos precedeu a oferta, na medida em que uma elite colonial, formada a partir de negócios e interesses entrelaçados no comércio colonial, atuou junto aos jesuítas na pressão sobre a coroa, objetivando suplantar a escravidão de indígenas.


E

chama a atenção para as diversidades regionais, utilizando como exemplo a Amazônia e o Rio Grande de São Pedro (futuro Rio Grande do Sul). Para o autor, ambas as regiões e suas diversidades quanto ao povoamento e colonização inviabilizam a interpretação que hierarquiza a distinção regional entre áreas nucleares e periféricas na América Portuguesa.