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A História africana é marcada por uma rica diversidade de povos, culturas e formações sociais que se desenvolveram ao longo de milênios. Contudo, a visão eurocêntrica frequentemente reduziu o continente a um bloco homogêneo, ignorando suas complexidades internas e suas profundas relações com outras partes do mundo, especialmente a Europa e a América, através de intercâmbios culturais, comerciais e, tragicamente, do tráfico transatlântico de escravizados.
Sobre a História africana e suas relações com a Europa e a América, é correto afirmar que:
A África é um continente culturalmente homogêneo, com pouca diversidade étnica e linguística entre seus povos.
O tráfico transatlântico de escravizados estabeleceu uma conexão brutal entre África, Europa e América, reconfigurando sociedades e economias nos três continentes.
As sociedades africanas pré-coloniais eram isoladas do restante do mundo, sem qualquer tipo de contato comercial ou cultural com a Europa.
A colonização europeia na África teve como principal objetivo o desenvolvimento autônomo das nações africanas, sem interesses econômicos.
A História africana deve ser estudada apenas a partir da perspectiva europeia, pois os registros internos são escassos e pouco confiáveis.
“Os resultados foram avanços significativos no processo de afirmação de setores marginalizados [...] com a promulgação da Lei 10.639/2003, e [...] a promulgação da Lei 11.645/2008”.
Leia com atenção as alternativas abaixo e marque aquela que inclui um aspecto NÃO estabelecido pelo texto das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008:
FONTENELE, Zilfran Varela, CAVALCANTI, Maria da Paz. Práticas docentes no ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 46, 2020. p.3.
A lei 11.645/2008 torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, além de determinar instantaneamente a sua implantação no ensino superior.
A lei 10.639/2003 torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares.
A lei 10.639/2003 determina que o calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”.
As alterações propostas por essas legislações abrangem o currículo escolar, em especial as áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.
Em termos de conteúdo programático, a legislação estabelece o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional.
Leia o texto a seguir.
O que os europeus mais bem registraram foram suas observações dos aspectos exteriores das sociedades africanas, dos chamados “usos e costumes”; os documentos fornecem descrições ricas, precisas e requintadas de várias cerimônias, vestimentas, comportamentos, estratégias e táticas de guerra, técnicas de produção, etc., não obstante, às vezes, a descrição ser acompanhada por epítetos como “bárbaro”, “primitivo”, “absurdo”, “ridículo” e outros termos pejorativos, o que, por si só, não significa muito; trata-se somente de um julgamento em função dos hábitos culturais do observador. Muito mais grave é a total falta de compreensão da estrutura interna das sociedades africanas, da complicada rede de relações sociais, da ramificação das obrigações mútuas, das razões mais profundas para determinados comportamentos. Em suma, os autores eram incapazes de descobrir as motivações profundas das atividades africanas.
HRBEK, I. As fontes escritas a partir do século XV. In: História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. Editado por Joseph Ki-Zerbo. 2.ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010, p. 123.
A narrativa expressa uma visão sobre a África marcada
pela interculturalidade.
pela decolonialidade.
pelo neoliberalismo.
pelo etnocentrismo.
A incorporação da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena ao currículo escolar responde à necessidade de enfrentar silenciamentos históricos e reconhecer a centralidade desses grupos na formação da sociedade brasileira. Essa abordagem implica revisar narrativas tradicionais e valorizar experiências de resistência e produção cultural. Analise as assertivas a seguir.
I.A história afro-brasileira e indígena é constitutiva da formação social do Brasil.
II.Essas histórias devem ser abordadas apenas em datas comemorativas.
III.O estudo dessas culturas contribui para a crítica ao racismo estrutural.
IV.A presença indígena pertence exclusivamente ao passado colonial.
Está CORRETO o que se afirma em:
II e IV apenas.
I e IV apenas.
I e III apenas.
II e III apenas.
III e IV apenas.
No enfrentamento de leituras estereotipadas que associam a África anterior ao colonialismo à ausência de complexidade política e dinamismo social, a historiografia contemporânea tem enfatizado a centralidade de formações estatais e redes de intercâmbio que articularam diferentes regiões do continente muito antes da presença europeia. Em atividades que mobilizam leitura de textos históricos sobre experiências como Zimbabwe, Congo e Mali, o desafio interpretativo consiste em reconhecer formas próprias de organização do poder, da produção e da circulação de saberes que se desenvolveram em diálogo com rotas comerciais e sistemas culturais diversos. Nesse horizonte, uma interpretação historicamente consistente acerca das sociedades africanas pré-coloniais se aproxima de:
... configurações sociais desprovidas de centralização política, urbanização ou intercâmbios de longa distância.
.. tradições históricas acessíveis apenas por registros europeus produzidos no século XIX.
... processos formativos determinados desde sua origem por dominação colonial externa.
... experiências que articularam centros urbanos, redes comerciais e instituições políticas, possibilitando a circulação de pessoas, bens e conhecimentos em múltiplas escalas.
...Organizações sociopolíticas constituídas exclusivamente após a intervenção europeia.
Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
Educação Física, Língua Portuguesa e História Brasileiras.
Educação Artística, Literatura e História Brasileiras.
Educação Física, Ensino Religioso e História Brasileiras.
Educação Artística, História e Geografia Brasileiras.
A África tem uma história. Já foi o tempo em que nos mapas-múndi e portulanos, sobre grandes espaços, representando esse continente então marginal e servil, havia uma frase lapidar que resumia o conhecimento dos sábios a respeito dele e que, no fundo, soava também como um álibi: “Ibi sunt leones”. Aí existem leões. Depois dos leões, foram descobertas as minas, grandes fontes de lucro, e as “tribos indígenas” que eram suas proprietárias, mas que foram incorporadas às minas como propriedades das nações colonizadoras. Nesse sentido, a história da África deve ser reescrita.
KI-ZERBO, J. (Ed.), História geral da África - Metodologia e pré-história da África. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. v. 1.
Desde então, embora ainda existam muitas lacunas e interrogações a respeito da história africana, pode-se afirmar que:
I. A história da África norte-saariana esteve antes ligada àquela da bacia mediterrânea, muito mais que a história da África subsaariana mas, nos dias atuais, é amplamente reconhecido que as civilizações do continente africano, pela sua variedade linguística e cultural, formam em graus variados as vertentes históricas de um conjunto de povos e sociedades, unidos por laços seculares.
II. A respeito das fontes, duas são as possibilidades para o desenvolvimento das pesquisas. A arqueológica, que é a detentora de grande parte das chaves da história das culturas e das civilizações africanas. Graças a ela admite-se, nos dias atuais, reconhecer que a África foi, com toda probabilidade, o berço da humanidade, palco de uma das primeiras revoluções tecnológicas da história, ocorrida no período Neolítico. Também as fontes escritas, mas que, quando não raras, se encontram mal distribuídas no tempo e no espaço.
III. Os estudos aumentaram desde que os países africanos, pós independência, começaram a participar ativamente da vida da comunidade internacional e dos intercâmbios a ela inerentes. No exercício de seu direito à iniciativa histórica, os próprios africanos sentiram profundamente a necessidade de restabelecer, em bases sólidas, a historicidade de suas sociedades.
IV. Preconceitos relacionados aos estudos sobre a África estão relacionados ao processo de escravidão moderna ocorrida nas Américas, em que a imigração forçada foi imposta a milhões de africanos, bem como às concepções etnocêntricas e raciais dos séculos XIX e XX.
Escolha a conjunção CORRETA:
Apenas as alternativas I e II estão corretas.
Apenas as alternativas I e III estão corretas.
Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
As alternativas I, II, III e IV estão corretas.
A escravidão africana e indígena no Brasil colonial foi marcada por complexas formas de dominação e resistência. As populações escravizadas construíram estratégias de preservação cultural e de contestação política, por meio da formação de _________, da prática de _________ e da manutenção de tradições _________, que reafirmavam identidades coletivas e desafiavam a ordem _________ imposta pelo sistema colonial.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto acima:
quilombos, rituais religiosos, culturais, escravista
reinos, guerras civis, econômicas, mercantilista
fazendas, devoções cristãs, rurais, absolutista
aldeamentos, danças populares, políticas, metropolitana
“O fim da era glacial na Europa provocou importantes modificações climáticas nas terras situadas ao sul do Mediterrâneo. A diminuição do volume de chuvas levou as populações nômades da África saariana a imigrarem para o vale do Nilo à procura de suprimento permanente de água. Portanto é provável que o primeiro povoamento efetivo do vale do Nilo tenha ocorrido no início do Neolítico (por volta de -7000). Nessa época, os egípcios adotaram um modo de vida pastoril e agrícola. Enquanto aperfeiçoavam seus instrumentos e armas de pedra, inventaram ou acolheram a cerâmica [...].”
(BAKR, A. Abu. O Egito faraônico. IN: MOKHTAR, Gamal (Ed.). História geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010. p. 37.)
Considerando o contexto apresentado no texto base, marque a alternativa correta.
As populações nômades da África saariana permaneceram em suas terras, sem a necessidade de migração para o vale do Nilo, devido à continuidade das chuvas abundantes na região.
O povoamento do vale do Nilo ocorreu durante o período Mesolítico, muito antes do início do Neolítico, e não foi influenciado por mudanças climáticas.
Durante o período neolítico, os egípcios adotaram exclusivamente uma vida urbana, sem desenvolver práticas de pastoril ou agricultura, e a cerâmica não desempenhou papel relevante nas suas culturas.
Recurso fundamental, a água disponível no vale do Nilo tornou-se elemento de atração dos povos de vida itinerante que, até o fim da era glacial na Europa, viviam na África saariana.
O fim da era glacial na Europa não teve nenhum impacto climático nas regiões do norte da África e do vale do Nilo, e as condições climáticas na África permaneceram inalteradas, sem provocar alterações nas rotas migratórias das populações nômades.
A Lei nº 14.759/23, sancionada em dezembro de 2023, declarou feriado nacional em 20 de novembro. Qual é o principal significado dessa data?
Relembrar a luta dos escravos e a morte de Zumbi dos Palmares.
Celebrar a independência do Brasil e seus heróis nacionais.
Homenagear os povos indígenas e suas contribuições culturais.
Comemorar a abolição da escravatura no Brasil.
Leia os fragmentos textuais a seguir para responder à questão.
CONFERÊNCIA DE BERLIM, 1884-1885
Em nome de Deus Todo Poderoso,
S. M. Imperador da Alemanha; S. M. Rei dos Belgas; o Presidente dos EUA; o Presidente da República Francesa; S. M. Rainha do Reino Unido; S. M. Rei da Itália; S. M. Imperador de todas as Rússias, e outros.
Querendo regular as condições mais favoráveis ao desenvolvimento do comércio e da civilização em certas regiões da África; desejosos de prevenir os mal-entendidos e as contestações que poderiam originar, no futuro, as novas tomadas de posse nas costas da África, e preocupados ao mesmo tempo com os meios de crescimento do bem-estar moral e material das populações aborígenes, resolveram, reunir para este fim uma Conferência em Berlim.
ATA GERAL. Adaptado de Ata geral, 26 fev. 1885. Disponível em: https://mamapress.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/12/conf_berlim.pdf. Acesso em: 25 ago. 2025.
PRIMEIRA CONFERÊNCIA DOS POVOS AFRICANOS, 1958
A Primeira Conferência dos Povos Africanos reuniu mais de duzentos delegados representando 62 organizações nacionalistas. Afirmando a importância da “personalidade africana”, contrastou com a Conferência de Berlim (1884-1885). O líder ganês Kwame Nkrumah ressaltou que os africanos desejavam decidir seu destino. Pela primeira vez, os africanos falavam para si próprios através da voz de um africano.
OLIVEIRA, P. O.; PARADA, M.; MEIHY, M. S. B. História da África contemporânea. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Pallas, 2013. Adaptado.
Os documentos apresentados descrevem a Conferência de Berlim (1884-1885) e a Primeira Conferência dos Povos Africanos (1958), respectivamente. A partir das informações dos textos, a diferença mais evidente entre os propósitos desses eventos é a participação dos representantes africanos na(s)
Conferência de Berlim, em que os líderes africanos atuaram como consultores para a partilha territorial, ao contrário da de 1958, que contou com delegados de movimentos nacionalistas europeus.
Conferência de 1958, com a presença de Kwame Nkrumah, que simbolizou a aceitação do domínio neocolonial pelas nações africanas, em sintonia com o que havia ocorrido na Conferência de Berlim.
Conferência de Berlim, que contou com a participação de delegações da maioria dos reinos e etnias africanas, enquanto a Conferência de 1958 foi um evento restrito a grupos políticos europeus.
Conferência de 1958, onde eles tiveram a oportunidade de falar sobre o próprio destino, em oposição à Conferência de Berlim, que foi organizada e conduzida por potências europeias.
duas conferências, onde a presença africana foi massiva em 1958 e decisiva em 1884-1885, marcando uma ruptura nos objetivos e significados de cada evento.

Para pensar a diáspora negra, vale apresentar o infográfico com o fluxo do tráfico de escravizados da África para o Brasil (cerca de 4,5 milhões). Após o levantamento de hipóteses pelos estudantes de quais análises nos permite esse material, ao menos duas linhas de investigação podem ser adotadas como as pertinentes às informações do gráfico:
escravização nas plantations coloniais como o primordial laboratório de desumanização dos indivíduos a partir de um critério de raça; afirmação do vínculo entre cultura nacional brasileira e africana.
presença de contingente negro na formação populacional brasileira; participação de afrodescendentes na distribuição de renda desigual e injusta na sociedade brasileira.
efeitos da reunião em senzalas de afrodescendentes originados de regiões e culturas diversas; presença de heranças de matrizes africanas na musicalidade e religiões nas regiões brasileiras de maior concentração negra.
sistema de plantations como exercício da necropolítica (poder de definir o tipo de vida e a morte dos sujeitados) que ensejaria a estruturação dos estados totalitários; viabilização do aumento de produtividade para benefício da metrópole portuguesa.
impactos gerados a partir da decadência da economia mercantilista e do tráfico negreiro na estrutura social brasileira; evolução do modo de vida da população de afrodescendentes em nossa sociedade.
Em diversas sociedades africanas tradicionais, as relações sociais eram ancoradas em estruturas complexas de parentesco e reciprocidade. Tais estruturas que regulavam o trabalho e o acesso à terra teriam sido mantidas mesmo após a expansão militar e comercial dos povos árabes em direção ao continente africano no século VI. Contudo, foi com a invasão europeia que esses sistemas são rompidos e novas formas de exploração e dependência são impostas aos africanos de diversas etnias e grupos culturais.
Sobre as relações entre sociedade, economia e natureza nas sociedades africanas tradicionais, é possível afirmar que:
eram sociedades essencialmente protocapitalistas, não urbanas e com trocas comerciais com a utilização itens que já emulavam a função do dinheiro.
a economia baseava-se na exploração de monoculturas agrícolas e mineração, ambas voltadas à exportação para tribos diversas e comerciantes ao redor do continente.
a terra era propriedade privada, regida por contratos individuais e relações de lucro, além disso, as relações de trabalho eram regidas por uma variante comunitária da mais-valia.
Em sua maioria, o trabalho era organizado por laços comunitários e pela redistribuição coletiva, não pela acumulação individual.
“Estudos a respeito das experiências das mulheres escravas têm apontado para o papel de resistência delas no interior das plantações. [...] Nas áreas rurais — nas quais a maior parte estava empregada nas plantações —, educavam seus filhos através da linguagem e da música, conservando elementos fundamentais de identidades construídas. A partir de tais elementos, ajudavam a reinventar tradições de protesto, muitas das quais africanas (GOMES,1995).”
Tendo em vista o trecho acima, é possível afirmar que a historiografia vem buscando reinterpretar a noção de “resistências escrava” no contexto da escravidão colonial brasileira como:
ação restrita a rebeliões e fugas e tentativas de preservação da cultura africana através da assimilação da cultura portuguesa e/ou europeia.
fenômeno somente caracterizado pela desobediência, protagonizado por lideranças quilombolas e escravos no ambiente urbano e rural; nesse sentido, a resistência torna-se um conceito vinculado a dimensões culturais e de raça.
um conjunto de práticas múltiplas de quilombismo, desobediência, sobrevivência, redes de solidariedade e negociação, que atribui agência histórica e a autonomia de sujeitos escravizados e aquilombados.
uma ação de protagonismo feminino, consequência direta e singular da opressão direcionada aos escravos e populações minorizadas, operada pelo sistema colonial protocapitalista.
Entre os anos de 2003 e 2008, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) foi alterada pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Tais Leis reelaboram as bases curriculares, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena. A partir de 2012, com a promulgação das ações afirmativas para pessoas pretas, pardas, quilombolas e indígenas, e a democratização do acesso ao ensino superior, houve também um movimento de aumento na releitura de fontes históricas e elaboração de um maior volume de matéria historiográfica sobre temas e sujeitos outrora invisibilizados pela historiografia.
Esse movimento de releitura historiográfica buscou novas possibilidades teóricas e metodológicas para a sua escrita e investigação histórica, dentre as quais se pode destacar:
o Marxismo Cultural.
o Pós-modernismo historiográfico.
a decolonialidade e o anticolonialismo.
a História Nova e a longa duração.
Em relação ao ensino de história, dentro dos parâmetros da Lei n. 10.639/03, analise as afirmativas abaixo, destaque a que traz uma informação incorreta.
A Lei 10.639/03 propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana.
O negro passa a ser visto não como elemento secundário que foi inserido no Brasil como mão de obra e hoje soma considerável parcela da população que absorveu a cultura europeia de forma predominante, mas como elementos essenciais na formação da nação brasileira.
O avanço nas discussões acerca da valorização da história e cultura afro-brasileira e africana ampliaram-se com a aprovação da Lei 10.639/03, que veio a ratificar a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
Entender a história do Brasil como o subproduto de um enraizamento sociocultural representa a reinterpretação de séculos de uma história contada na unilateralidade.
A aplicabilidade da lei 10.639/03 possibilita o entendimento do contexto histórico, social, político e cultural no qual assentou-se a historicidade da sociedade brasileira, essencialmente, entendendo o negro como sujeito histórico.
“Nos séculos XV e XVI, o Congo era o único Estado capaz de exercer sua hegemonia sobre toda a região, entre o planalto de Benguela e os planaltos bateke, e desde o mar até além do Rio Kwango”.
(In: Silvério, Valter Roberto. Síntese da coleção História Geral da África: Século XVI ao século XX / coordenação de Valter Roberto Silvério e autoria de Maria Corina Rocha, Mariana Blanco Rincón, Muryatan Santana Barbosa. – Brasília: UNESCO, MEC, UFSCar, 2013, p. 116)
Sobre o referido período da história do Congo é incorreto afirmar:
Por volta de 1500, as fronteiras do Estado beiravam o Rio Zaire, do estuário até sua confluência com o Inkisi.
Estimativas indicam que a população do Congo era entre 2 e 5 milhões de pessoas na época.
O Reino era dividido entre uma grande cidade, a capital Mbanza Kongo, e o campo.
Nesse período, a estrutura social era dividida em duas camadas sociais bem divididas: a nobreza e os aldeãos.
Kante foi feroz adversário do Islã – teria vencido e matado nove reis. Os excessos do Rei-Feiticeiro levaram os habitantes do Manden a se revoltarem uma vez mais. Estes tentaram persuadir o mansa Dankaran Tuman a comandá-los; contudo, temendo as represálias de Sumaoro Kante, o rei do Manden fugiu para o sul e lá fundou, em plena floresta, Kissidugu, a “cidade da salvação”. No vazio de poder que resultou da deserção do mansa, os insurretos recorreram a Sundiata Keita, segundo filho de Nare Fa Maghan, que então vivia exilado em Nema. Antes, porém, de tratarmos das guerras e conquistas do jovem príncipe, convém apresentarmos em linhas gerais um quadro do Manden.
História geral da África - IV: África do século XII ao XVI. Editado por Djibril Tamsir Niane. Brasília: UNESCO, 2010.
O Manden, que o autor afirma desejar apresentar, representa o embrião do futuro núcleo do
Reino de Mali.
Reino de Gana.
Reino de Benin.
Reino de Songai.
Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página – não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo aprisionar-nos para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade sul-africana, em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito criadas à imagem de Deus.
Desmond Tutu, no encerramento da Comissão da Verdade na África do Sul. Disponível em: camara.leg.br. Acesso em: 29 maio, 2025.
O discurso acima, tendo sido produzido na virada do século XX para o XXI, revela a intencionalidade específica de
superar a herança neocolonialista e apontar para uma sociedade equânime.
reavivar o sentimento nacionalista após anos de domínio estadunidense.
eliminar o sentimento revanchista e valorizar o legado civilizacional inglês.
reafirmar sua liberdade por meio do conflito armado e da busca por independência.
O Congresso da Mocidade Negra tem que se realizar, muito embora os trânsfugas pensem que a raça não esteja preparada para o certame, dentro da estabilidade essencial. Porém, a raça espoliada fará o seu congresso, entre as angústias e as glórias do seu antepassado, baseando-se nas esperanças de uma nova redenção para a família negra brasileira.
Jornal O Clarim d’Alvorada (1929) apud GOMES, F. Negros e política (1888-1937). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
Um professor apresentou aos estudantes esse trecho de uma notícia publicada em 1929 no jornal O Clarim d’Alvorada, criado por um grupo de intelectuais negros. No texto, é possível observar a defesa da realização do 1º Congresso da Mocidade Negra no Brasil. A análise do trecho da fonte documental em sala de aula demonstra a seguinte característica da organização do movimento negro brasileiro nas primeiras décadas do século XX:
Pressão pública para a obtenção de sentenças favoráveis.
Mobilização coletiva para a defesa de interesses comuns.
Participação eleitoral para a escolha de representantes políticos.
Formação universitária para o surgimento de lideranças progressistas.