Questões de Concurso sobre História e Cultura Afro

 
 
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Leia o texto a seguir.


O que os europeus mais bem registraram foram suas observações dos aspectos exteriores das sociedades africanas, dos chamados “usos e costumes”; os documentos fornecem descrições ricas, precisas e requintadas de várias cerimônias, vestimentas, comportamentos, estratégias e táticas de guerra, técnicas de produção, etc., não obstante, às vezes, a descrição ser acompanhada por epítetos como “bárbaro”, “primitivo”, “absurdo”, “ridículo” e outros termos pejorativos, o que, por si só, não significa muito; trata-se somente de um julgamento em função dos hábitos culturais do observador. Muito mais grave é a total falta de compreensão da estrutura interna das sociedades africanas, da complicada rede de relações sociais, da ramificação das obrigações mútuas, das razões mais profundas para determinados comportamentos. Em suma, os autores eram incapazes de descobrir as motivações profundas das atividades africanas.


HRBEK, I. As fontes escritas a partir do século XV. In: História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. Editado por Joseph Ki-Zerbo. 2.ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010, p. 123.


A narrativa expressa uma visão sobre a África marcada


A

pela interculturalidade.


B

pela decolonialidade.


C

pelo neoliberalismo.


D

pelo etnocentrismo.

A incorporação da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena ao currículo escolar responde à necessidade de enfrentar silenciamentos históricos e reconhecer a centralidade desses grupos na formação da sociedade brasileira. Essa abordagem implica revisar narrativas tradicionais e valorizar experiências de resistência e produção cultural. Analise as assertivas a seguir.


I.A história afro-brasileira e indígena é constitutiva da formação social do Brasil.

II.Essas histórias devem ser abordadas apenas em datas comemorativas.

III.O estudo dessas culturas contribui para a crítica ao racismo estrutural.

IV.A presença indígena pertence exclusivamente ao passado colonial.


Está CORRETO o que se afirma em:


A

II e IV apenas.


B

I e IV apenas.


C

I e III apenas.


D

II e III apenas.


E

III e IV apenas.

No enfrentamento de leituras estereotipadas que associam a África anterior ao colonialismo à ausência de complexidade política e dinamismo social, a historiografia contemporânea tem enfatizado a centralidade de formações estatais e redes de intercâmbio que articularam diferentes regiões do continente muito antes da presença europeia. Em atividades que mobilizam leitura de textos históricos sobre experiências como Zimbabwe, Congo e Mali, o desafio interpretativo consiste em reconhecer formas próprias de organização do poder, da produção e da circulação de saberes que se desenvolveram em diálogo com rotas comerciais e sistemas culturais diversos. Nesse horizonte, uma interpretação historicamente consistente acerca das sociedades africanas pré-coloniais se aproxima de:


A

... configurações sociais desprovidas de centralização política, urbanização ou intercâmbios de longa distância.


B

.. tradições históricas acessíveis apenas por registros europeus produzidos no século XIX.


C

... processos formativos determinados desde sua origem por dominação colonial externa.


D

... experiências que articularam centros urbanos, redes comerciais e instituições políticas, possibilitando a circulação de pessoas, bens e conhecimentos em múltiplas escalas.


E

...Organizações sociopolíticas constituídas exclusivamente após a intervenção europeia.

A História africana é marcada por uma rica diversidade de povos, culturas e formações sociais que se desenvolveram ao longo de milênios. Contudo, a visão eurocêntrica frequentemente reduziu o continente a um bloco homogêneo, ignorando suas complexidades internas e suas profundas relações com outras partes do mundo, especialmente a Europa e a América, através de intercâmbios culturais, comerciais e, tragicamente, do tráfico transatlântico de escravizados.


Sobre a História africana e suas relações com a Europa e a América, é correto afirmar que:


A

A África é um continente culturalmente homogêneo, com pouca diversidade étnica e linguística entre seus povos.


B

O tráfico transatlântico de escravizados estabeleceu uma conexão brutal entre África, Europa e América, reconfigurando sociedades e economias nos três continentes.


C

As sociedades africanas pré-coloniais eram isoladas do restante do mundo, sem qualquer tipo de contato comercial ou cultural com a Europa.


D

A colonização europeia na África teve como principal objetivo o desenvolvimento autônomo das nações africanas, sem interesses econômicos.


E

A História africana deve ser estudada apenas a partir da perspectiva europeia, pois os registros internos são escassos e pouco confiáveis.

“Os resultados foram avanços significativos no processo de afirmação de setores marginalizados [...] com a promulgação da Lei 10.639/2003, e [...] a promulgação da Lei 11.645/2008”.


Leia com atenção as alternativas abaixo e marque aquela que inclui um aspecto NÃO estabelecido pelo texto das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008:


FONTENELE, Zilfran Varela, CAVALCANTI, Maria da Paz. Práticas docentes no ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 46, 2020. p.3.


A

A lei 11.645/2008 torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, além de determinar instantaneamente a sua implantação no ensino superior.


B

A lei 10.639/2003 torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares.


C

A lei 10.639/2003 determina que o calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”.


D

As alterações propostas por essas legislações abrangem o currículo escolar, em especial as áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.


E

Em termos de conteúdo programático, a legislação estabelece o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional.

Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de


A

Educação Física, Língua Portuguesa e História Brasileiras.


B

Educação Artística, Literatura e História Brasileiras.


C

Educação Física, Ensino Religioso e História Brasileiras.


D

Educação Artística, História e Geografia Brasileiras.

A África tem uma história. Já foi o tempo em que nos mapas-múndi e portulanos, sobre grandes espaços, representando esse continente então marginal e servil, havia uma frase lapidar que resumia o conhecimento dos sábios a respeito dele e que, no fundo, soava também como um álibi: “Ibi sunt leones”. Aí existem leões. Depois dos leões, foram descobertas as minas, grandes fontes de lucro, e as “tribos indígenas” que eram suas proprietárias, mas que foram incorporadas às minas como propriedades das nações colonizadoras. Nesse sentido, a história da África deve ser reescrita.


KI-ZERBO, J. (Ed.), História geral da África - Metodologia e pré-história da África. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. v. 1.


Desde então, embora ainda existam muitas lacunas e interrogações a respeito da história africana, pode-se afirmar que:


I. A história da África norte-saariana esteve antes ligada àquela da bacia mediterrânea, muito mais que a história da África subsaariana mas, nos dias atuais, é amplamente reconhecido que as civilizações do continente africano, pela sua variedade linguística e cultural, formam em graus variados as vertentes históricas de um conjunto de povos e sociedades, unidos por laços seculares.

II. A respeito das fontes, duas são as possibilidades para o desenvolvimento das pesquisas. A arqueológica, que é a detentora de grande parte das chaves da história das culturas e das civilizações africanas. Graças a ela admite-se, nos dias atuais, reconhecer que a África foi, com toda probabilidade, o berço da humanidade, palco de uma das primeiras revoluções tecnológicas da história, ocorrida no período Neolítico. Também as fontes escritas, mas que, quando não raras, se encontram mal distribuídas no tempo e no espaço.

III. Os estudos aumentaram desde que os países africanos, pós independência, começaram a participar ativamente da vida da comunidade internacional e dos intercâmbios a ela inerentes. No exercício de seu direito à iniciativa histórica, os próprios africanos sentiram profundamente a necessidade de restabelecer, em bases sólidas, a historicidade de suas sociedades.

IV. Preconceitos relacionados aos estudos sobre a África estão relacionados ao processo de escravidão moderna ocorrida nas Américas, em que a imigração forçada foi imposta a milhões de africanos, bem como às concepções etnocêntricas e raciais dos séculos XIX e XX.


Escolha a conjunção CORRETA:


A

Apenas as alternativas I e II estão corretas.


B

Apenas as alternativas I e III estão corretas.


C

Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.


D

As alternativas I, II, III e IV estão corretas.

A escravidão africana e indígena no Brasil colonial foi marcada por complexas formas de dominação e resistência. As populações escravizadas construíram estratégias de preservação cultural e de contestação política, por meio da formação de _________, da prática de _________ e da manutenção de tradições _________, que reafirmavam identidades coletivas e desafiavam a ordem _________ imposta pelo sistema colonial.


Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto acima:


A

quilombos, rituais religiosos, culturais, escravista


B

reinos, guerras civis, econômicas, mercantilista


C

fazendas, devoções cristãs, rurais, absolutista


D

aldeamentos, danças populares, políticas, metropolitana

“O fim da era glacial na Europa provocou importantes modificações climáticas nas terras situadas ao sul do Mediterrâneo. A diminuição do volume de chuvas levou as populações nômades da África saariana a imigrarem para o vale do Nilo à procura de suprimento permanente de água. Portanto é provável que o primeiro povoamento efetivo do vale do Nilo tenha ocorrido no início do Neolítico (por volta de -7000). Nessa época, os egípcios adotaram um modo de vida pastoril e agrícola. Enquanto aperfeiçoavam seus instrumentos e armas de pedra, inventaram ou acolheram a cerâmica [...].”


(BAKR, A. Abu. O Egito faraônico. IN: MOKHTAR, Gamal (Ed.). História geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010. p. 37.)


Considerando o contexto apresentado no texto base, marque a alternativa correta.


A

As populações nômades da África saariana permaneceram em suas terras, sem a necessidade de migração para o vale do Nilo, devido à continuidade das chuvas abundantes na região.


B

O povoamento do vale do Nilo ocorreu durante o período Mesolítico, muito antes do início do Neolítico, e não foi influenciado por mudanças climáticas.


C

Durante o período neolítico, os egípcios adotaram exclusivamente uma vida urbana, sem desenvolver práticas de pastoril ou agricultura, e a cerâmica não desempenhou papel relevante nas suas culturas.


D

Recurso fundamental, a água disponível no vale do Nilo tornou-se elemento de atração dos povos de vida itinerante que, até o fim da era glacial na Europa, viviam na África saariana.


E

O fim da era glacial na Europa não teve nenhum impacto climático nas regiões do norte da África e do vale do Nilo, e as condições climáticas na África permaneceram inalteradas, sem provocar alterações nas rotas migratórias das populações nômades.

A Lei nº 14.759/23, sancionada em dezembro de 2023, declarou feriado nacional em 20 de novembro. Qual é o principal significado dessa data?


A

Relembrar a luta dos escravos e a morte de Zumbi dos Palmares.


B

Celebrar a independência do Brasil e seus heróis nacionais.


C

Homenagear os povos indígenas e suas contribuições culturais.


D

Comemorar a abolição da escravatura no Brasil.

Em relação ao ensino de história, dentro dos parâmetros da Lei n. 10.639/03, analise as afirmativas abaixo, destaque a que traz uma informação incorreta.


A

A Lei 10.639/03 propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana.


B

O negro passa a ser visto não como elemento secundário que foi inserido no Brasil como mão de obra e hoje soma considerável parcela da população que absorveu a cultura europeia de forma predominante, mas como elementos essenciais na formação da nação brasileira.


C

O avanço nas discussões acerca da valorização da história e cultura afro-brasileira e africana ampliaram-se com a aprovação da Lei 10.639/03, que veio a ratificar a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996.


D

Entender a história do Brasil como o subproduto de um enraizamento sociocultural representa a reinterpretação de séculos de uma história contada na unilateralidade.


E

A aplicabilidade da lei 10.639/03 possibilita o entendimento do contexto histórico, social, político e cultural no qual assentou-se a historicidade da sociedade brasileira, essencialmente, entendendo o negro como sujeito histórico.

“Nos séculos XV e XVI, o Congo era o único Estado capaz de exercer sua hegemonia sobre toda a região, entre o planalto de Benguela e os planaltos bateke, e desde o mar até além do Rio Kwango”.


(In: Silvério, Valter Roberto. Síntese da coleção História Geral da África: Século XVI ao século XX / coordenação de Valter Roberto Silvério e autoria de Maria Corina Rocha, Mariana Blanco Rincón, Muryatan Santana Barbosa. – Brasília: UNESCO, MEC, UFSCar, 2013, p. 116)


Sobre o referido período da história do Congo é incorreto afirmar:




A

Por volta de 1500, as fronteiras do Estado beiravam o Rio Zaire, do estuário até sua confluência com o Inkisi.


B

Estimativas indicam que a população do Congo era entre 2 e 5 milhões de pessoas na época.


C

O Reino era dividido entre uma grande cidade, a capital Mbanza Kongo, e o campo.


D

Nesse período, a estrutura social era dividida em duas camadas sociais bem divididas: a nobreza e os aldeãos.

Kante foi feroz adversário do Islã – teria vencido e matado nove reis. Os excessos do Rei-Feiticeiro levaram os habitantes do Manden a se revoltarem uma vez mais. Estes tentaram persuadir o mansa Dankaran Tuman a comandá-los; contudo, temendo as represálias de Sumaoro Kante, o rei do Manden fugiu para o sul e lá fundou, em plena floresta, Kissidugu, a “cidade da salvação”. No vazio de poder que resultou da deserção do mansa, os insurretos recorreram a Sundiata Keita, segundo filho de Nare Fa Maghan, que então vivia exilado em Nema. Antes, porém, de tratarmos das guerras e conquistas do jovem príncipe, convém apresentarmos em linhas gerais um quadro do Manden.


História geral da África - IV: África do século XII ao XVI. Editado por Djibril Tamsir Niane. Brasília: UNESCO, 2010.


O Manden, que o autor afirma desejar apresentar, representa o embrião do futuro núcleo do


A

Reino de Mali.


B

Reino de Gana.


C

Reino de Benin.


D

Reino de Songai.

Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página – não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo aprisionar-nos para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade sul-africana, em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito criadas à imagem de Deus.


Desmond Tutu, no encerramento da Comissão da Verdade na África do Sul. Disponível em: camara.leg.br. Acesso em: 29 maio, 2025.


O discurso acima, tendo sido produzido na virada do século XX para o XXI, revela a intencionalidade específica de


A

superar a herança neocolonialista e apontar para uma sociedade equânime.


B

reavivar o sentimento nacionalista após anos de domínio estadunidense.


C

eliminar o sentimento revanchista e valorizar o legado civilizacional inglês.


D

reafirmar sua liberdade por meio do conflito armado e da busca por independência.

O Congresso da Mocidade Negra tem que se realizar, muito embora os trânsfugas pensem que a raça não esteja preparada para o certame, dentro da estabilidade essencial. Porém, a raça espoliada fará o seu congresso, entre as angústias e as glórias do seu antepassado, baseando-se nas esperanças de uma nova redenção para a família negra brasileira.


Jornal O Clarim d’Alvorada (1929) apud GOMES, F. Negros e política (1888-1937). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.


Um professor apresentou aos estudantes esse trecho de uma notícia publicada em 1929 no jornal O Clarim d’Alvorada, criado por um grupo de intelectuais negros. No texto, é possível observar a defesa da realização do 1º Congresso da Mocidade Negra no Brasil. A análise do trecho da fonte documental em sala de aula demonstra a seguinte característica da organização do movimento negro brasileiro nas primeiras décadas do século XX:


A

Pressão pública para a obtenção de sentenças favoráveis.


B

Mobilização coletiva para a defesa de interesses comuns.


C

Participação eleitoral para a escolha de representantes políticos.


D

Formação universitária para o surgimento de lideranças progressistas.

A Conferência de Berlim reuniu potências europeias para estabelecer regras sobre a ocupação territorial africana. O princípio da ocupação efetiva determinou que o domínio colonial dependeria da presença administrativa e militar concreta nos territórios. Essa conferência ocorreu no período de:


A

1822-1823.


B

1848-1849.


C

1861-1862.


D

1884-1885.


E

1914-1915.

A escravização de povos africanos para trabalhar nas colônias portuguesas desempenhou papel relevante na economia mercantil dos séculos XV ao XIX e não somente pela utilização dessa mão de obra nas lavouras, mas pelo fato de que o tráfico de africanos no circuito do Atlântico Sul era fonte de alta lucratividade.

Com relação ao empreendimento português de tráfico de escravos para o Brasil é correto dizer que entre os principais pontos de abastecimento, na África, está o território que corresponde ao seguinte país:


A

Marrocos.


B

Angola.


C

Etiópia.


D

Moçambique.


E

Sudão.

A África foi vítima do maior holocausto que o mundo já conheceu, desdobrado em dois momentos: o tráfico escravista árabe dos séculos VIII e IX e o mercantilismo europeu dos séculos XV a XIX.


(Elisa Larkin Nascimento, Sankofa: significado e intenções. Em: Elisa Larkin Nascimento (org.).


A matriz africana no mundo) Para Elisa Nascimento, o holocausto europeu na África


A

colocou a África como fornecedora de matéria-prima e garantiu o desenvolvimento da atividade industrial africana.


B

visou à aniquilação da identidade dos africanos e à sua integração ao modelo ocidental, considerado universal.


C

pretendeu destruir as tradições políticas e culturais africanas, mas preservando as formas de organização econômica.


D

ambicionou apagar todas as tradições de igualitarismo econômico presente nos principais Estados africanos.


E

buscou fortalecer os reinos aliados às nações imperialistas e combater os povos sem a organização estatal.

Leia o texto a seguir:


Esse princípio – que já norteava informalmente a política de alforrias vigente, sendo a forma mais comum de obtenção da liberdade – confirmou-se na política emancipacionista da segunda metade do século XIX, tanto com a lei de 1871 (que legalizava o pecúlio adquirido pelo escravo e a compra da alforria, a partir dessa poupança ou por meio de empréstimo) quanto com a dos Sexagenários, de 1885 (que, como forma de ressarcimento, impunha aos libertandos maiores de 60 anos a exigência de servir seus senhores por mais três anos ou até os 65 anos).


(Maria Helena P.T. Machado, “Teremos grandes desastres, se não houver providências enérgicas e imediatas: a rebeldia dos escravos e a abolição da escravidão”. Em: K. Grinberg; R. Salles (orgs.), O Brasil Imperial - vol. III: 1870-1889, 2024. Adaptado)


O excerto aborda o princípio


A

da abolição imediata da escravidão para os segmentos aos quais as diferentes leis se destinavam.


B

da brandura da escravidão no Brasil, ideia defendida por Gilberto Freyre e amplamente contestada nas décadas seguintes.


C

da priorização da dignidade humana dos cativos, em detrimento dos interesses econômicos dos senhores.


D

de que a economia entraria em colapso com a abolição da escravatura, impossibilitando a autonomia do país.


E

de que os senhores tinham direito à indenização pela perda do trabalhador escravizado.

Leia os fragmentos textuais a seguir para responder à questão.


CONFERÊNCIA DE BERLIM, 1884-1885


Em nome de Deus Todo Poderoso,

S. M. Imperador da Alemanha; S. M. Rei dos Belgas; o Presidente dos EUA; o Presidente da República Francesa; S. M. Rainha do Reino Unido; S. M. Rei da Itália; S. M. Imperador de todas as Rússias, e outros.

Querendo regular as condições mais favoráveis ao desenvolvimento do comércio e da civilização em certas regiões da África; desejosos de prevenir os mal-entendidos e as contestações que poderiam originar, no futuro, as novas tomadas de posse nas costas da África, e preocupados ao mesmo tempo com os meios de crescimento do bem-estar moral e material das populações aborígenes, resolveram, reunir para este fim uma Conferência em Berlim.


ATA GERAL. Adaptado de Ata geral, 26 fev. 1885. Disponível em: https://mamapress.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/12/conf_berlim.pdf. Acesso em: 25 ago. 2025.


PRIMEIRA CONFERÊNCIA DOS POVOS AFRICANOS, 1958


A Primeira Conferência dos Povos Africanos reuniu mais de duzentos delegados representando 62 organizações nacionalistas. Afirmando a importância da “personalidade africana”, contrastou com a Conferência de Berlim (1884-1885). O líder ganês Kwame Nkrumah ressaltou que os africanos desejavam decidir seu destino. Pela primeira vez, os africanos falavam para si próprios através da voz de um africano.


OLIVEIRA, P. O.; PARADA, M.; MEIHY, M. S. B. História da África contemporânea. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Pallas, 2013. Adaptado.


Os documentos apresentados descrevem a Conferência de Berlim (1884-1885) e a Primeira Conferência dos Povos Africanos (1958), respectivamente. A partir das informações dos textos, a diferença mais evidente entre os propósitos desses eventos é a participação dos representantes africanos na(s)


A

Conferência de Berlim, em que os líderes africanos atuaram como consultores para a partilha territorial, ao contrário da de 1958, que contou com delegados de movimentos nacionalistas europeus.


B

Conferência de 1958, com a presença de Kwame Nkrumah, que simbolizou a aceitação do domínio neocolonial pelas nações africanas, em sintonia com o que havia ocorrido na Conferência de Berlim.


C

Conferência de Berlim, que contou com a participação de delegações da maioria dos reinos e etnias africanas, enquanto a Conferência de 1958 foi um evento restrito a grupos políticos europeus.


D

Conferência de 1958, onde eles tiveram a oportunidade de falar sobre o próprio destino, em oposição à Conferência de Berlim, que foi organizada e conduzida por potências europeias.


E

duas conferências, onde a presença africana foi massiva em 1958 e decisiva em 1884-1885, marcando uma ruptura nos objetivos e significados de cada evento.

 
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