Imagem de fundo

Leia este trecho: “A eleição de Tancredo, em 15 de janeiro...

Leia este trecho:


“A eleição de Tancredo, em 15 de janeiro de 85, revelou a mais competente e bem-sucedida engenharia política de nossa história. Nenhum retrocesso, sempre avanços. Há um lado desse tempo ainda envolto numa cortina de silêncio: o militar.” (SARNEY, José. “Boa noite, presidente”. Folha de São Paulo, 21 de janeiro de 2005. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2101200507.htm Acesso em 24 de outubro de 2016.)


O trecho citado inicia um artigo no qual, ao mesmo tempo em que se revelam os bastidores da posse de José Sarney como presidente da república, chama-nos a atenção para um grupo pouco abordado durante o processo de redemocratização: os militares. Acerca da transição política dos anos 1980 e da atuação das Forças Armadas nesse processo, pode-se afirmar que


A

a despeito da memória oficial, que criou imagem de rompimento entre regimes, os militares continuaram influenciando a vida política, atuando diretamente na redemocratização, o que lhes garantiu a permanência de prerrogativas incompatíveis com um Estado democrático.


B

ao manter uma distensão lenta, gradual e segura, o presidente João Figueiredo consolidava o processo de apaziguamento dos conflitos intramilitares ao eliminar a “linha dura” e, em contrapartida, garantir os rumos para a democratização brasileira via Colégio Eleitoral.


C

a transição do regime autoritário militar para a democracia civil aconteceu sem atribulações, dando-se de forma pacífica e moderada através da Conciliação Nacional em consonância com o arrefecimento das demais ditaduras militares que tiveram lugar na América Latina.


D

ao se escolher um presidente moderado, vinculado ao partido de sustentação do regime ditatorial, o Colégio Eleitoral articulou a transição de forma a agradar os setores “duros” das Forças Armadas, receosos de um processo de redemocratização não controlada pelo topo social.


E

a saída gradual dos militares do mundo político criou a sensação de uma transição plena, uma vez que, ao eximirem-se da participação política formal, adotaram o silêncio como meio de construção de memória, criando-se a representação de uma ditadura branda.