Texto para a questão 25. "Em 28 de julho de 1992, o...
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Texto para a questão 25. "Em 28 de julho de 1992, o...

Texto para a questão 25.


"Em 28 de julho de 1992, o presidente Mitterrand, da França, apareceu de forma súbita, não anunciada e inesperada, em Sarajevo, que já era o centro de uma guerra balcânica que iria custar cerca de 150 mil vidas no decorrer daquele ano. Seu objetivo era lembrar à opinião pública mundial a gravidade da crise na Bósnia. E, de fato, foi muito observada e admirada a presença do conhecido estadista - idoso e visivelmente frágil sob o fogo das armas portáteis e da artilharia. Um aspecto da visita de Mitterrand, contudo, embora claramente fundamental, passou despercebido: a data. Por que o presidente da França escolhera aquele dia específico para ir a Sarajevo? Porque 28 de junho era o aniversário do assassinato, em Sarajevo, em 1914, do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria - Hungria, ato que, em poucas semanas, levou à eclosão da Primeira Guerra Mundial. Para qualquer europeu culto da geração de Mitterrand, saltava aos olhos a ligação entre data e lugar e a evocação de uma catástrofe histórica precipitada por um erro político e de cálculo. Que melhor maneira de dramatizar as implicações potenciais da crise bósnia que escolhendo uma data tão simbólica? Mas quase ninguém captou a alusão, exceto uns poucos historiadores profissionais e cidadãos muitos idosos. A memória histórica já não estava viva. A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX."


(HOBSBAWN. Eric. Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia das Letras, 1995, p.12-13).


A partir do fragmento acima e dos conhecimentos construídos acerca do tema, podemos concluir que


A

a atitude do presidente francês Mitterrand na crise da Bósnia, em 1992, pode ser interpretada como sentimento de culpa e tentativa de redenção por parte dos franceses que, nos antecedentes da Primeira Guerra Mundial, foram incentivadores das tensões, desejosos por conflito armado que resolvesse tais questões.


B

a fragilidade da memória histórica acerca da Primeira Guerra se deve ao fato de um conflito pouco documentado e com consequências inexpressivas frente aos demais acontecimentos do século XX.


C

a visita do presidente francês Mitterrand nos remete aos antecedentes da Primeira Guerra Mundial, entre 1912 - 1913, quando as potências mundiais tentaram, por meio de acordos diplomáticos, conter o "caldeirão" de tensões que veio a explodir em 1914.


D

a constatação do autor nas frases "A memória histórica já não estava viva" e "A destruição do passado" se refere à mudança das experiências humanas em relação a tempo e memória durante o século XX conferindo ao campo historiador um lugar menor.


E

a diplomacia, na História Mundial, tem papel irrelevante frente aos constantes descumprimentos de acordos e negociações, como, por exemplo, a ineficácia da diplomacia em impedir os conflitos de 1914 e 1992.