

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Texto para a questão 43.
Épico "300 de Esparta" irrita iranianos.
(13/03/2007 - 18h49)
TEERÃ, 13 mar (AFP) - O filme americano "300", que relata uma batalha histórica entre gregos e persas, despertou a ira da imprensa iraniana, devido à personificação dos persas - cujo rei Xerxes é interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro - como "selvagens", enquanto funcionários próximos ao governo de Teerã o definiram como uma "guerra psicológica".
"Hollywood declarou guerra aos iranianos", noticiou o jornal reformista "Ayandeh-No", em uma crítica do filme que relata a batalha da passagem das Termópilas, na qual os guerreiros gregos, em desvantagem numérica, detiveram o exército persa de Xerxes, até a queda dos últimos resistentes, os 300 soldados da guarda do rei espartano Leônidas.
"A mensagem para o espectador é que o Irã, que forma, atualmente, parte do 'eixo do mal' é, há muito tempo, fonte do mal e que os ancestrais iranianos são os selvagens e imbecis que aparecem em '300"' , afirmou o jornal.
(Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultnot/ afp/2007/03/13/ult32u16485.jhtm Acesso em: 10 jul. 2019).
Para além de um debate em tomo de uma obra de ficção, a disputa por memória que envolve a produção e a recepção do filme 300, em 2007, está relacionada com o fato histórico constante da alternativa:
Os atuais iranianos são descendentes diretos da civilização persa. Por esse motivo, a reedição da batalha das Termópilas no cinema reacende disputas entre o Ocidente herdeiro do mundo grego e o Oriente próximo, de forte influência persa, associando a batalha à "guerra ao terror''.
Apesar de suas ambições expansionistas, Ciro, o grande imperador persa, respeitava a cultura dos povos vencidos e não impunha restrições às suas línguas ou costumes, diferente do retratado no filme.
Originalmente, os persas acreditavam em vários deuses, mas, com o tempo, o zoroastrismo, uma religião dualista baseada na presença de uma divindade representadora do bem, outra do mau, passou a prevalecer, assunto incômodo para as atuais lideranças islâmicas do Irã.
Após a morte de Ciro, os imperadores persas seguiram expandindo seus domínios, mas esbarraram nas tentativas de dominar a Grécia, apesar de sua superioridade numérica, levando ao declínio da civilização persa.
Desde a ascensão do aiatolá Khomeini ao poder iraniano, os americanos e o estilo de vida capitalista têm sido alvo de críticas dos governos do Irã. A produção do filme é, portanto, parte de uma implícita disputa política que culmina numa visão do Oriente Médio como "eixo do mal".