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A máscara, portanto, suscita muitas questões: por que a...

A máscara, portanto, suscita muitas questões: por que a boca do sujeito negro deve ser presa? Por que ela ou ele deve ser silenciado? O que poderia dizer o sujeito negro se sua boca não fosse selada? O que o sujeito branco deveria ouvir? Há um medo apreensivo de que, se o sujeito colonial falar, o colonizador terá que escutar. Ele/ela seria forçado a um confronto desconfortável com as verdades dos “Outros”. Verdades que foram negadas, reprimidas e mantidas em silêncio, como segredos. Eu gosto dessa frase “quieto na medida em que é forçado a”. Essa é uma expressão das pessoas da Diáspora africana que anuncia como alguém está prestes a revelar o que se supõe ser um segredo. Segredos como a escravidão. Segredos como o colonialismo. Segredos como o racismo.


No fragmento citado acima, Grada Kilomba analisa a imagem da escrava Anastácia, obrigada a viver com uma máscara cobrindo sua boca, no sentido de estender aos dias atuais práticas de violência contra a população negra características do período colonial brasileiro. Com base na análise de Grada Kilomba, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A máscara, enquanto expressão do ato de apagamento da voz do sujeito negro, manifesta a dificuldade histórica da sociedade branca patriarcal em ouvir as vozes silenciadas, em lidar com os segredos expostos pela negação da ideia de história única.


B

A incorporação ao currículo de Temas Integradores como a Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena significa um primeiro esforço no sentido de “dar voz” às lutas e valores dessas culturas, assim como de refletir sobre as formas de sua desqualificação.


C

As perguntas que Grada Kilomba faz sobre o silenciamento da voz do Outro, assim como suas reflexões sobre aquilo o que o sujeito branco deveria ouvir, permitem que, além dos temas ligados à escravidão negra, outros Temas Integradores, tais como Gênero, Sexualidade, Poder e Sociedade, Ética e Cidadania, sejam explorados nas aulas de História.


D

Segundo Grada Kilomba, a frase “quieto na medida em que é forçado a” expressa a passividade das pessoas da Diáspora, característica que constituiu elemento fundamental para implementação do trabalho escravo africano no período colonial brasileiro.


E

A Lei nº 11.645, de 2008, que inclui no currículo oficial da rede de ensino do país a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileiras e Indígenas”, é uma medida que visa reparar o fato de que a escravidão foi uma instituição nacional que penetrou toda a sociedade brasileira, condicionando seu modo de agir e pensar.