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[…] é preciso explicar por que a reação da direita após a Primeira Grande Guerra conseguiu vitórias cruciais na forma do fascismo. Antes de 1914 já existiam movimentos extremistas da ultradireita – histericamente nacionalistas e xenofóbicos, promotores dos ideais da guerra e da violência, intolerantes e dados a atos violentamente coercivos, totalmente antiliberais, antidemocráticos, antiproletários, antissocialistas e antinacionalistas, defensores do sangue e do solo e dos valores antigos que a modernidade estava destruindo. Eles tinham alguma influência dentro da direita política e em alguns círculos intelectuais, mas em lugar algum chegam a dominar ou controlar.
(Eric Hobsbawm, Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991)
Para o autor de Era dos extremos, o que deu ao fascismo sua oportunidade, após a Primeira Guerra Mundial, foi
a decisão do Tratado de Versalhes em considerar a Primeira Guerra sem vencidos e sem vencedores, condição que permitiu o rearmamento alemão e a busca italiana pelo militarismo como estratégia de expansão imperialista.
a profusão de governos militarizados e conservadores no início da década de 1930, como na França, conjuntura que incentivou a formação de grupos internacionalistas em toda a Europa, assim como em outros continentes.
a influência negativa dos Estados Unidos, que constituiu leis de proteção ao trabalho, além da liberdade de organização política e sindical, o que inspirou, na Europa, uma série de movimentos radicais dos trabalhadores industriais.
o colapso dos velhos regimes, e, com eles, das velhas classes dominantes e seu maquinário de poder, influência e hegemonia e onde a ordem política permaneceu com bom funcionamento, não houve necessidade de fascismo, como na Grã-Bretanha.
a fragilidade do liberalismo britânico em razão de reformas políticas que restringiram os direitos políticos para parte da sua população e a proibição da formação de organizações e partidos de esquerda em boa parte da Europa.