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Leia o texto a seguir:
“Pois bem, se as coisas são assim no âmbito mundial, mesmo ressalvando as diferenças, talvez seja esse o destino de qualquer instituição humana. E também da democracia liberal. (...) O que observo é que cada vez menos gente acredita nessa forma de democracia, a democracia liberal, ao mesmo tempo que a grande maioria continua defendendo o ideal democrático.”
CASTELLS, Manuel. Ruptura: A crise da democracia liberal. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.

Na invasão ao Capitólio, nos EUA, manifestantes tentavam impedir a ratificação da vitória eleitoral de Biden, 06/01/2021. (Bill Clark/Getty Images)
Esse desencanto, segundo Castells, tem contribuído para o surgimento de novos comportamentos sociais e políticos que transformaram as instituições e as práticas de governança em toda parte, destacando-se os EUA, a Inglaterra e o Brasil.
Contribuiu diretamente para a escalada dessa “nova ira”:
o aumento do distanciamento entre o Estado-nação e a nação, além da crise de legitimidade na mente de milhões de cidadãos, sempre mantidos à margem de decisões essenciais para sua vida
a globalização da economia e da comunicação que, apesar de ter reforçado as economias nacionais, limitou a capacidade de o Estado-nação responder em seu âmbito a problemas globais
o estímulo ao processo de globalização dado pelos EUA, sob a administração Reagan, e pela Inglaterra de Thatcher, durante a década de 1980, porém sem desmantelar regulações e fronteiras
a incorporação das novas tecnologias e da nova industrialização por centenas de milhões de pessoas espalhadas por diversos países sem, no entanto, dinamizar e ampliar o mercado mundial