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As reflexões sobre o absolutismo eram todas mais ou menos casuais e alusivas: uma teorização direta das novas monarquias centralizadas que emergiam na Europa renascentista nunca foi efetuada por nenhum dos fundadores do materialismo histórico. A sua importância exata foi deixada ao juízo das gerações posteriores. Com efeito, os historiadores marxistas debatem até hoje o problema da natureza social do absolutismo. A solução correta é, na verdade, vital para compreensão da passagem do feudalismo para o capitalismo na Europa, e dos sistemas políticos que a diferenciaram.
(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista. Texto adaptado)
Ao analisar a natureza social do absolutismo, Anderson compreende que
durante toda a fase inicial da época moderna, a classe dominante era a mesma da época medieval, ou seja, a aristocracia feudal.
desde o século XVII, as nações europeias são dirigidas por soberanos absolutistas que governam em nome dos interesses das suas burguesias.
ao longo da Idade Moderna, houve um equilíbrio entre os poderes da nobreza, classe decadente, e a burguesia comercial, classe ascendente.
no decorrer do século XVI, a nobreza foi perdendo espaço político para a burguesia enriquecida com a exploração colonial e o tráfico negreiro.
no Mundo Moderno, a ascensão econômica e o prestígio social da burguesia foram essenciais para que essa classe tivesse o poder político.