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“Ao mesmo tempo que a Europa procura abrir mercados para si, a Alemanha fecha-se ao comércio exterior. É o que a distingue da Grã-Bretanha. A economia britânica não trazia em si o germe da guerra, porque repousava no liberalismo e na reciprocidade das trocas. A Inglaterra renunciou ao protecionismo em 1846 e aboliu, em 1849, a Lei de Navegação. A Alemanha, ao contrário, conjuga uma política de exportação análoga a da Grã-Bretanha e uma política de fechamento do mercado interno; associa ao monopólio de mercado nacional à conquista do exterior; política repleta de contradições, que a impele de entrar em conflitos com outras potências.”
RÉMOND, René. O século XX, de 1914 aos nossos dias. São Paulo: Ed. Cultrix, 1974. p. 17.
O texto aponta para uma divisão política, econômica e ideológica que ocorreu no mundo europeu momentos antes da eclosão da Primeira Grande Guerra. Este processo pode ser evidenciado:
A partir dos questionamentos territoriais na Europa pós napoleônica, permitindo o crescimento da Alemanha como potência econômica.
Pelo movimento de industrialização imposto pela Inglaterra aos demais aliados, promovendo uma hierarquização política na Europa.
Pelo processo de conquistas territoriais empregado pela Alemanha, aproximando-a do neocolonialismo do século XIX.
A partir do surgimento da Tríplice Aliança liderada pela Alemanha e da Tríplice Entente liderada pela Inglaterra.
Pelo surgimento de dois blocos econômicos que iriam mobilizar o mundo ao fim do conflito, um pautado no liberalismo e outro no protecionismo.