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Para trabalhar com a noção de memória pública, um professor do ensino fundamental usou fragmentos de um poema escrito por Manuel Bandeira
Minha gente, salvemos Ouro Preto!
As chuvas de verão ameaçaram derruir Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores,
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agüentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
[...].
BANDEIRA, Manuel. Minha gente, Salvemos Ouro Preto! Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 11 set. 1949.
A partir do fragmento da poesia de Manuel Bandeira, o professor demonstrou que
a memória pública de uma cidade está firmada nos grandes monumentos construídos.
os eventos climáticos intensos e inesperados destroem a memória pública de um lugar.
os conflitos sociais e culturais estão presentes na produção de uma memória pública inerente a um lugar.
a memória pública de um lugar é algo secundário diante das carências econômicas e sociais que o afetam.