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O que se deve chamar de feudalismo é o conjunto da formação social dominante no Ocidente da Idade Média Central, com suas facetas política, econômica, ideológica, institucional, social, cultural, religiosa. Uma totalidade histórica, da qual o feudo foi apenas um elemento. No entanto – e procurando não perder essa globalidade de vista –, como examinamos cada uma daquelas facetas nos capítulos correspondentes, vamos aqui nos prender apenas à análise das relações sociais do feudalismo. Ou melhor, do feudo-clericalismo. Este rótulo parece-nos mais conveniente.
(Hilário Franco Júnior,
A Idade Média, nascimento do Ocidente, p. 88-89. Adaptado)
Franco Júnior faz a defesa do termo feudo-clericalismo ao
especificar que a principal preocupação dos senhores dos grandes domínios de terra era com a prevalência das práticas religiosas e não com inquietações ligadas aos aspectos econômicos ou militares desses domínios.
mencionar que as estruturas feudais nasceram a partir das tradições visigodas e vândalas, que defendiam que a soberania do Estado derivava da aquiescência dos governados, fossem senhores feudais ou servos da gleba.
explicitar o papel central da Igreja naquela sociedade, pois, entre outros pontos, ela foi a maior detentora de terras naquela sociedade essencialmente agrária, destacando-se no jogo de concessão e recepção de feudos.
evidenciar que as estruturas feudais, em relação aos aspectos políticos, assemelhavam-se à hierarquia da Igreja Católica, na qual o poder de bispos e outras autoridades eclesiásticas dependiam do consentimento dos fiéis.
demonstrar o papel secundário exercido pelo catolicismo ao longo da formação das estruturas feudais, pois a doutrina moral dessa religião reconhecia que o tempo e o trabalho humano pertenciam a Deus e não aos senhores feudais.