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“A determinação histórica do capital não destrói a renda nem preserva o seu caráter pré-capitalista – transforma-a, incorporando-a, em renda capitalizada. Fiz dessa constatação uma hipótese que abrangesse não apenas relações précapitalistas (...). Foi o que me permitiu desenvolver a análise do regime de colonato nas fazendas de café (...).”
(MARTINS, José de Souza. O cativeiro da terra. LECH: Livraria Editora Ciências Humanas, São Paulo, 1981.)
A crise escravista ocorrida no Brasil Império assumiu um caráter predominantemente gradualista e tardio, e contribuiu para ratificar a institucionalização da desigualdade social através da propriedade sobre a terra.
Deve-se considerar e apreender para uma melhor interpretação sobre esses acontecimentos o fato:
da crise do sistema escravista brasileiro ter se relacionado à conjuntura mais geral de consolidação e expansão das relações capitalistas de produção ao longo da segunda metade do século XIX, com os Estados Unidos no centro do poder mundial
das pressões do capitalismo estadunidense ter buscado ampliar os mercados para seus produtos industrializados, bem como reduzir os custos de produção do café, principal produto das exportações brasileiras, que tinham os EUA como o maior importador
da crise do trabalho escravo no Brasil, apesar de seu caráter gradual, ter sido acompanhada da imediata substituição pelo trabalhador livre e assalariado, que surgiu especialmente nas lavouras cafeeiras que se espalhavam pelo Sudeste brasileiro
de ter ocorrido um tensionamento entre as forças favoráveis à manutenção da escravidão, por um lado, representado pelas aristocracias rurais escravistas, pelos traficantes e demais setores conservadores e, por outro, pelos próprios escravos e movimentos abolicionistas