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No livro Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda comparou as colonizações portuguesa e espanhola na América. Segundo o autor,
“Nas formas de vida coletiva [...] dois princípios que se combatem e regulam diversamente as atividades dos homens. Esses dois princípios encarnam-se nos tipos do aventureiro e do trabalhador. Já nas sociedades rudimentares manifestam-se eles, [...] na distinção fundamental entre os povos caçadores ou coletores e os povos lavradores. Para uns, [...], o ideal será colher o fruto sem plantar a árvore. [...]
O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço lento, pouco compensador e persistente, que, no entanto, mede todas as possibilidades de desperdício e sabe tirar o máximo proveito do insignificante [...]
[...] Assim, o indivíduo do tipo trabalhador só atribuirá valor moral positivo às ações que sente ânimo de praticar, e, inversamente, terá por imorais e detestáveis as qualidades próprias do aventureiro: audácia, imprevidência, irresponsabilidade, instabilidade, vagabundagem. [...]”
HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26 Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 44.
A partir do fragmento textual e do seu conhecimento sobre o tema, deve-se concluir que, na colonização da América,
os portugueses trabalharam para construir uma colônia de povoamento; e os espanhóis apostaram na exploração, realizando uma ocupação da terra sem planejamento.
os portugueses desenvolveram uma colonização racional, favorecendo uma ocupação mais urbana e menos voltada para a agricultura; e os espanhóis estimularam o plantio de monoculturas.
o lusitano por ter espírito trabalhador, sedentarizou-se na colônia para explorar metais preciosos; e o espanhol com espírito aventureiro, extraía as riquezas da colônia sem nela se fixar.
o lusitano com espírito aventureiro encarou a colonização como uma fonte de exploração rápida; e o espanhol, como ladrilhador, investiu na sedentarização e na urbanização.