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De um lado, a cultura erudita, de elite, cultura letrada que, pelo menos até o século XIII, foi eclesiástica do ponto de vista social e latina do ponto de vista linguístico. Conscientemente elaborada, era formalmente transmitida. Por isso, tendia a ser conservadora, a se fundamentar em autoridades.
De outro lado, estava a cultura que já foi chamada de popular, laica ou folclórica, e que preferimos denominar “vulgar”, pois para os medievais esta palavra rotulava sem ambiguidade tudo que não fosse clerical.
Esses dois polos culturais opostos em tantos aspectos não eram impermeáveis um ao outro.
(Hilário Franco Júnior. Idade Média - Nascimento do Ocidente. Adaptado)
Uma das razões pelas quais o autor considera que não havia a mencionada impermeabilidade encontra-se no fato de que
ambos os polos culturais mencionados eram revestidos da mentalidade hegemônica no período medieval, que se caracteriza pela valorização da cultura camponesa e religiosa.
a ordem eclesiástica, devido ao celibato obrigatório, era constituída por indivíduos de origem forçosamente laica, que cresceram ou viveram no âmbito da cultura vulgar.
o decréscimo populacional provocado pela peste negra e outras pandemias forçou um maior intercâmbio entre os dois polos, o que contribuiu para a manutenção do sistema feudal.
a teologia medieval, por meio de sua busca pela racionalização e combate aos mitos e lendas, estabeleceu uma ponte entre os dois extremos socioculturais do período medieval.
a utilização do latim como vernáculo oficial na Europa dos romanos, usado segundo sua norma culta, propiciava constante intercâmbio cultural entre os diferentes grupos.