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“É sabido que o plantio da cana veio a substituir, nos primórdios da colonização da América Portuguesa, a simples extração de recursos naturais. O açúcar, então considerado uma especiaria, alcançava altos preços e dispunha de um mercado em expansão, possibilitando amarrar a Colônia às linhas de comércio metropolitano”.
Fonte: DEL PRIORE, Mary. Deus ou o diabo nas terras do açúcar: o senhor de engenho na América Portuguesa. In. DEL PRIORE, Mary. Revisão do Paraíso: os brasileiros e o Estado em 500 anos de História. Rio de Janeiro: Campus, 2000, p.17
A dinâmica da economia açucareira, no Brasil colonial, caracterizava-se:
pelo foco na produção para o abastecimento do mercado interno, haja vista a intensa concentração demográfica na região mineradora.
pela persistência de um modelo de relações de produção que privilegiava a mão de obra local, em detrimento da mão de obra de origem africana.
por um sistema de plantation, combinação entre latifúndio, trabalho escravo, monocultura e produção para o mercado externo.
pela inserção da colônia no modelo mercantilista e sua participação no chamado “périplo colonial”, a produção do açúcar no Brasil tinha como destino principal a África, onde o produto era trocado por mão de obra escrava.
apesar de fundamentada na mão de obra escrava, no que diz respeito à atividade fim que era a produção da cana-de-açúcar, as atividades complementares exigiam um exército de mão de obra livre que era quantitativamente superior ao número de escravos negros.


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