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“Quase uns trezentos homens sufocavam-no porão do Brigue "Palhaço" ancorado nas ânforas do porto de Belém do Pará quando a gritaria começou. Berravam por água e por ar. Asfixiavam-se. Eram do 2º Regimento de Artilharia de Belém que se insurgiram contra a junta governativa em outubro de 1823. Quem os prendeu e os removeu para a masmorra flutuante foi o comandante Greenfell, um daqueles oficias ingleses contratados por D. Pedro |, que lá estava para assegurar a integração do Grão-Pará ao Brasil recém independente.
...a tripulação da improvisada galé os acalmou a tiros e à noite espargiu sobre eles, ainda empilhados lá embaixo, uma nuvem de cal. Na contagem matinal do dia seguinte, no dia 22, só dera com 4 vivos. Dias depois restou só um, João Tapuia. Morreram 252 milicianos e praças sufocados pela asfixia. Um pavor acometeu o Pará. O interior ferveu. Gente comum morreu como bicho. Brigadeiro Soares Andreia em relatório ao Ministro da Guerra, Belém do Pará 1836.". (BECHARA, Nazira e ARANHA, Ocimar. Coleção Novo Curupira. Editora Amazônica, Belém,2009, p169)
O episódio acima descrito por Soares Andreia é conhecido como a Tragédia do Brigue Palhaço e ocorreu:
após a adesão do Pará a independência do Brasil, e é identificada como um crime brutal ordenado por John Greenfell um dos militares mercenários contratados pelo governo imperial para impor a nova ordem nas províncias que não aderiram imediatamente a independência. Os homens mortos eram pessoas comuns que sem maior identificação, John Greenfell mandou prender no interior da pequena embarcação chamada de Brigue. Depois da tragédia, a embarcação ficou conhecida como "Brigue Palhaço", devido aos rostos brancos dos mortos ocasionado pelo cal jogado sobre eles,
no dia que o Pará aderiu a independência, 15 de agosto de 1823, pois os segmentos populares não concordaram com a decisão dos políticos pertencentes a elite portuguesa, até então contrários a independência, que aceitaram os termos propostos pelo governo de Pedro | para acatarem o novo regime. Insuflados por Batista Campos iniciaram saque e depredação dos armazéns e lojas dos portugueses o que resultou nas suas prisões e posteriormente assassinato dentro da embarcação em que foram colocados.
logo após a independência do Brasil, ainda em setembro do mesmo ano, pois a província do Grão-Pará não aderiu imediatamente a essa nova ordem política, isto porque a maioria da população era descendente de portugueses e se mantinha fiel a D. João VI, entrando em confronto com as tropas imperiais nas ruas de Belém, por vários dias, resultando na prisão e rápido julgamento de centenas de pessoas, pelo militar inglês John Greenfell.
nos primeiros anos da Cabanagem, quando Soares Andreia foi nomeado pelo governo Regencial para governar a província do Grão-Pará e encontrou muita resistência por parte da população de Belém que reagiu armada a sua presença e as tropas do governo, seguindo-se vários confrontos armados pelas ruas de Belém e a consequente prisão de mais de duzentas pessoas que foram confinadas e mortas no porão de uma embarcação chamada de Brigue Palhaço.