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Leia os trechos a seguir.
I. Quando espanhóis e portugueses chegaram à América, os nativos lhes preparavam chocolate, uma bebida feita com cacau, temperada com especiarias simples e misturada com papas de milho. Essa combinação conferia à bebida um aspecto rústico e um gosto selvagem. Os espanhóis, julgando-se mais industriosos que os selvagens, procuraram corrigir o mau gosto dessa bebida, acrescentando à pasta de cacau aromas do Oriente e especiarias da Espanha.
Adaptado de LAVEDÁN, A. Tratado de los usos, abusos, propiedades y virtudes del tabaco, café, té y chocolate. Madrid: Almarabu, 1991, pp. 214-215.
II. Os europeus que haviam bebido chocolate no Novo Mundo, não apenas adquiriram o gosto pela bebida espessa, como também passaram a consumi-la da mesma forma como vinha sendo consumido há muito tempo na Mesoamérica. Os espanhóis assimilaram o universo do cacau e procuraram manter, mesmo na Europa, as sensações sensoriais que acompanhavam o consumo do chocolate. Na Espanha e na Hispano-América, o apreço dos europeus pelo chocolate não reforçava uma hierarquia que colocasse os colonizadores europeus acima dos indígenas. Ao contrário, esse gosto chamava atenção para as falhas do projeto civilizador.
Adaptado de NORTON, Marcy. Chocolate para el imperio: la interiorización europea de la estética mesoamericana. Revista de Estudios Sociales, n. 29, 2008, pp. 57-63.
Com base nos trechos, assinale a opção que interpreta corretamente as dinâmicas do contato entre europeus e indígenas a partir do consumo do chocolate.
O texto I enfatiza a imposição cultural espanhola na modificação do chocolate indígena, enquanto o texto II destaca a assimilação europeia de práticas mesoamericanas e a recriação dessa experiência na Europa.
O texto I interpreta o consumo de chocolate como um processo de transculturação entre espanhóis e indígenas, enquanto o texto II afirma que a adoção europeia do chocolate reforçou a superioridade cultural dos colonizadores.
Os dois trechos indicam como o caráter exótico do chocolate americano foi apropriado e preservado pelos espanhóis, como forma de reproduzir práticas rituais associadas ao seu consumo.
Os dois trechos indicam que o preparo do chocolate segundo as práticas pré-hispânicas permaneceu restrito às populações indígenas da América, consideradas as únicas capazes de produzir a bebida adequadamente.
Os dois trechos indicam que o chocolate foi incorporado pelos europeus apenas após transformações que eliminaram suas características indígenas, inicialmente rejeitadas por suas qualidades sensoriais.