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"Imperador de 1840 a 1889, D. Pedro II teve sua vida contada a partir de episódios repletos de dramaticidade e destacada com base neles. Primeiro monarca nascido no Brasil, Pedro de Alcântara foi comparado ao Menino Jesus na tradição portuguesa, revisto como Imperador do Divino na ladainha brasileira, entendido como um novo D. Sebastião pelos últimos fiéis das previsões de Vieira. Filho de Bragança, Habsburgo e parente direto dos Bourbon, D. Pedro era reconhecido como um pequeno deus europeu, cercado por mestiços. Órfão de mãe com um ano, de pai aos dez, imperador aos catorze e exilado aos 64, no seu caminho é difícil notar onde se inicia a fala mítica da memória, quando acaba o discurso político e ideológico; onde começa a história, onde fica a metáfora.”
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 21.
No trecho apresentado, Lilia Moritz Schwarcz discute a trajetória de Dom Pedro II a partir de uma narrativa marcada por imagens míticas, religiosas e simbólicas, que se entrelaçam com discursos políticos e ideológicos. Com base na interpretação do texto, é CORRETO afirmar que a autora:
Demonstra que a biografia de D. Pedro II pode ser plenamente compreendida por meio de uma sequência objetiva de fatos históricos, desde que se eliminem os elementos simbólicos da narrativa.
Indica que a construção da imagem do imperador resultou de um processo consciente de sacralização política, no qual mito, religião e genealogia europeia foram mobilizados para legitimar o poder monárquico no Brasil.
Defende que as comparações religiosas atribuídas a D. Pedro II expressam crenças populares espontâneas, desprovidas de função política ou ideológica.Defende que as comparações religiosas atribuídas a D. Pedro II expressam crenças populares espontâneas, desprovidas de função política ou ideológica.
Estabelece uma separação clara entre memória, mito e história, atribuindo à historiografia a tarefa de corrigir definitivamente as distorções simbólicas do passado imperial.
Sustenta que a imagem mítica de D. Pedro II decorreu exclusivamente de sua origem europeia, sendo irrelevante o contexto social e racial do Brasil oitocentista.