

Seu próximo nível começa aqui
Com a Assinatura Ilimitada, você tem tudo que precisa para sua aprovação.
Com a Assinatura Ilimitada, você combina prática, teoria e método em uma única assinatura com tudo que você precisa para sua aprovação.
A idéia de um cenário internacional pós-1945 estável, "embora não parecesse", como afirma Eric Hobsbawm no texto, não se sustenta historicamente - afinal, a Guerra Fria, pondo os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em permanente confronto ideológico e bélico, algumas vezes diretamente, inviabilizou a estabilidade pretendida pelo autor.
"A peculiaridade da Guerra Fria era a de que, em termos objetivos, não existia perigo iminente de guerra mundial."
Essa afirmativa do historiador Eric Hobsbawn sustenta-se no fato de que:
o poderio militar das duas superpotências líderes dos blocos capitalista e socialista entrou em franco declínio após a II Guerra Mundial.
a crescente atividade pacifista observada junto à sociedade civil do Oci-dente e Oriente inibiu ações de caráter militar por parte das duas superpo-tências.
as duas superpotências aceitaram a divisão desigual do mundo no fim da II Guerra Mundial e evitavam um choque direto e aberto entre suas For-ças Armadas.
a política do degelo, iniciada após a II Guerra Mundial, promoveu a rea-proximação gradativa entre as duas superpotências que se chocaram du-rante aquele conflito.
Apesar da forte presença mundial dos Estados Unidos da América (EUA) desde o final da Primeira Guerra (1914-1918), o certo é que a Europa manteve, até a Segunda Guerra, uma posição central nas relações internacionais, o que não ocorreu após 1945: destroçada pelo esforço de guerra e sem condições de soerguer-se por si mesma, ela foi levada a recolher-se, enquanto Washington e Moscou assumiam posições de liderança.
A ONU tem sido criticada pelo gigantismo de sua máquina burocrática, que amplia o custo de sua manutenção e a torna menos ágil, e pelo populismo esquerdista de suas atitudes: esse é o discurso prevalecente entre os falcões norte-americanos, normalmente identificados com os setores mais conservadores do Partido Republicano e que defendem uma ação internacional mais enérgica dos EUA na defesa dos interesses nacionais. A retirada dos EUA da UNESCO é um exemplo desse tipo de pensamento.
A bipolaridade mundial pós-1945, diferentemente do que ocorrera no passado, singularizava-se por opor mais que duas potências, EUA e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), mas pelo confronto — ainda que para alguns apenas retórico — entre dois sistemas antagônicos, o capitalista e o socialista, a lutarem pela expansão ou preservação das respectivas áreas de influência.
A Guerra Fria, fortemente contingenciada pelo confronto ideológico entre capitalismo e socialismo e pela disputa por áreas de influência entre a URSS e os Estados Unidos da América (EUA), perdeu sentido a partir do momento em que uma crise profunda interrompeu a experiência soviética, deixando o campo livre à atuação norte-americana.
O fim da Guerra Fria fez desaparecerem os gigantescos blocos militares – o Pacto de Varsóvia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte – cuja razão de ser – a eventual possibilidade de um confronto entre os mundos comunista e capitalista – deixara de existir.