No quadro geral de transformações pelo qual passou a Europa
moderna, também se destacaram aquelas operadas no campo
das idéias, particularmente as que se voltaram para o novo
cenário de centralização do poder real, cuja culminância seria
o regime absolutista; laicos ou religiosos, intelectuais
produziram obras que deram suporte teórico à nova
configuração do poder estatal.
Considere o seguinte recado ao governante: "Entre como se vive e como se devia viver, há tamanha diferença, que aquele que despreza o que se faz pelo que se deveria fazer aprende antes a trabalhar em prol da sua ruína do que da sua conservação. Na verdade, quem num mundo cheio de perversos pretende seguir em tudo os ditames da bondade, caminha inevitavelmente para a própria perdição". Esse recado, de notável realismo político, não esconde sua autoria: Hegel.
A mais incisiva e contundente defesa do Estado nacional centralizado e do poder absolutista em mãos do rei foi feita pelo inglês Thomas More; sua Utopia é uma espécie de ode ao monarca em cujas mãos a sociedade deposita seus mais elementares direitos em troca da segurança que somente um Estado forte pode oferecer.
Com exceção de Rousseau, os pensadores da Ilustração do
século XVIII — como Voltaire, Montesquieu e Diderot —
não produziram obras com densidade suficiente para, de
alguma forma, exercerem influência nos movimentos
revolucionários que, entre fins dos setecentos e primeira
metade do século XIX, jogaram por terra o Antigo Regime e
anunciaram o advento dos regimes liberais burgueses.