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"Dentro da revolução inglesa do século XVII, que resultou no triunfo da ética protestante – a ideologia da classe proprietária – houve a ameaça de uma outra revolução, completamente diferente. Seu sucesso poderia ter estabelecido a propriedade comunal e uma democracia mais ampla, poderia ter derrubado a Igreja estatal e rejeitado a ética protestante. Os grupos radicais que apresentaram essas propostas (...) eram formados por homens e mulheres pobres, sem sofisticação ou educação, e talvez por isso, raramente suas opiniões foram consideradas a sério. Porém muitas de suas exigências, tradicionalmente descartadas como fantasias impraticáveis, aproximam-se do radicalismo próprio do nosso próprio tempo. O mundo de ponta-cabeça é um retrato não dá revolução burguesa que ocorreu na Inglaterra (...), mas sim dos impulsos para uma radical reviravolta da sociedade, violentamente desejada e temida."
Fonte: HILL, Christopher. O mundo de ponta-cabeça. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, contracapa.
Entre os grupos radicais a que o texto faz referência podemos incluir:
Os socialistas utópicos de Charles Fourier, por meio de seus falanstérios evocavam noções militares de falange e os ideais religiosos dos monastérios na construção de uma comunidade intencional crítica da sociedade industrial.
Os cartistas que por meio da Carta do Povo reivindicavam sufrágio universal masculino, igualdade dos distritos eleitorais, voto secreto, eleições anuais ao Parlamento, remuneração aos parlamentares e abolição da qualificação de proprietário para ser candidato.
Os anarcossincalistas, um movimento de trabalhadores ingleses, principalmente do ramo da fiação e tecelagem, reconhecido pela destruição de máquinas como forma de protesto diante do aumento do desemprego provocado pela industrialização.
Os niveladores, um heterogêneo movimento político e social inglês, entre seus princípios podemos destacar a construção de uma sociedade mais igualitária, com ampliação do sufrágio e da soberania popular.