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A mestiçagem, signo sob o qual se formou a etnia brasileira, resulta da excepcional capacidade do português em se cruzar com outras raças. É a uma tal aptidão que o Brasil deveu a sua unidade, a sua própria existência com os característicos que são os seus. (...)
Teria contribuído para aquela aptidão o trato imemorial que as populações ocupantes do território lusitano tiveram com raças de compleição mais escura. Essa extremidade da Europa foi sempre, desde os tempos pré-históricos, um ponto de contato entre as raças brancas desse continente e aquelas outras cujo centro de gravidade estava na África.
(Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia)
Para Caio Prado Júnior, outro importante fator da mestiçagem brasileira
foi o incentivo oficial, oferecido pela Igreja Católica, para que os colonos se casassem com as nativas, como parte de um processo de catequização dos povos indígenas em contato com os colonizadores.
foi o encontro entre as práticas culturais indígenas e as dos primeiros colonos portugueses na América, porque para ambos as ligações amorosas geravam maiores possibilidades de sobrevivência.
foi a maneira como ocorreu a emigração portuguesa para a colônia, na qual o colono português emigra para o Brasil, normalmente, de forma individual, sem a presença de mulheres brancas.
foi a necessidade dos colonos portugueses em estreitar laços com algumas sociedades indígenas com o intuito de se proteger do ataques de outras nações indígenas, inimigas dos colonizadores.
foram as leis brandas, presentes nas Ordenações Filipinas, que incentivavam todas as relações matrimoniais entre os colonos, nativos e africanos, objetivando o rápido povoamento do Brasil.