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Desde Frei Vicente de Salvador iniciara-se a construção da imagem de absoluta exploração e pilhagem dos portugueses nas terras coloniais da América. Também inaugurava-se a imagem da incompetência administrativa portuguesa no Brasil, base do não desenvolvimento material e da permanência do atraso cultural brasileiros. Este argumento atravessaria os séculos XVII, XVIII e XIX, encontrando forte ressonância ainda no século XX.
(Eduardo França Paiva. “De português a mestiço: o imaginário brasileiro sobre a colonização e sobre o Brasil”. Em: Lana M. de C. Simam e Thais N. de L. Fonseca (orgs.). Inaugurando a História e construindo a nação. Discursos e imagens no ensino de História. Adaptado)
Sobre esse debate, segundo o artigo citado, há historiadores no Brasil que, com a contribuição da História Cultural, têm comprovado
a exitosa organização colonial brasileira, realizada de forma a evitar contatos com os outros espaços do Império português, estabelecendo, dessa forma, articulações quase exclusivas entre os diferentes espaços da América portuguesa e as áreas específicas de trocas econômicas em Portugal.
a presença de estratégias bem elaboradas e empregadas pelos portugueses na colonização do Brasil e de outros espaços coloniais, caso do transplante e da adaptação na América de práticas culturais, técnicas produtivas e formas de ocupação da terra já testadas e desenvolvidas pelos colonizadores em outras regiões.
que os cuidados do Império português com o Brasil restringiram-se aos aspectos educacionais, o que explica a grande presença de missionários religiosos, porque a ordenação econômica imposta à colônia teve a marca de extrair todas as riquezas americanas e não fazer investimentos de grande porte
os poucos cuidados do Estado português com os seus domínios coloniais na América, situação explicada pelas outras prioridades dos colonizadores, como os importantes ganhos gerados pelo comércio oriental, até o século XVIII, e os lucros obtidos com a agricultura de exportação de espaços africanos.
a atenção especial dada pelo colonizador português em relação à ordenação político-jurídica do Império Colonial, com uma aplicação especial à América portuguesa; mas houve descuidos estruturais, caso da corrupção endêmica, que perpassou todas as relações entre os colonos e as autoridades metropolitanas.