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Considerando o fragmento abaixo, transcrito do texto 3...

Texto 3


Papos


  1. – Me disseram...
  2. – Disseram-me.
  3. – Hein?
  4. – O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
  5. – Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
  6. – O quê?
  7. – Digo-te que você...
  8. – O “te” e o “você” não combinam.
  9. – Lhe digo?
  10. – Também não. O que você ia me dizer?
  11. – Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir
  12. a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
  13. – Partir-te a cara.
  14. – Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
  15. – É para o seu bem.
  16. – Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma
  17. correção e eu...
  18. – O quê?
  19. – O mato.
  20. – Que mato?
  21. – Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
  22. – Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
  23. – Se você prefere falar errado...
  24. – Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
  25. – No caso... não sei.
  26. – Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
  27. – Esquece.
  28. – Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”?
  29. Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
  30. – Depende.
  31. – Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
  32. – Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
  33. – Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te
  34. o que dizer-te-ia.
  35. – Por quê?
  36. – Porque, com todo este papo, esqueci-lo.

Verissimo, Luis Fernando. Novas comédias da vida pública, a versão dos afogados. Porto Alegre: L&PM, 1997. [Adaptado].

Considerando o fragmento abaixo, transcrito do texto 3, assinale a alternativa que apresenta uma paráfrase que não altera o sentido do trecho.


“– Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.

– Por quê?

– Porque, com todo este papo, esqueci-lo.” (linhas 33-36)


A

– Sou lhe grato por me conceder a licença para usar a forma padrão da língua. Contudo, estou incapacitado de dar continuidade ao que eu estava falando.

– Por qual motivo?

– Pelo motivo de, com essa digressão, o conteúdo da conversa ter fugido à minha memória.


B

– Sou profundamente agradecido a ti por me autorizar a usar a língua em consonância com a norma padrão. Todavia, lamento informar que não disponho mais de capacidade para dar sequência à conversa.

– Por qual finalidade?

– Por ter esquecido o que iria dizer depois de tanta conversa sobre outro assunto.


C

– Agradeço a você a súplica para violar as regras da norma padrão da língua. Apesar disso, não disponho de habilidade para comunicar o que pretendia.

– Em vista do quê?

– Em vista de termos uma conversa vasta sobre como falar, o que me fez esquecer o que falar.


D

– Eu dou graças a você por ter me conduzido a usar a variante coloquial da língua. Mesmo assim, tenho que informar que vou interromper nossa conversa neste momento.

– Devido a quê?

– Devido ao fato de eu não ter como falar o que iria falar depois do que conversamos.


E

– Eu agradeço a você a autorização que estás me concedendo para fazer uso da língua em desacordo com a norma culta. Entretanto, não tenho mais capacidade de comunicar o que pretendia.

– Por qual razão?

– Pelo fato de eu não lembrar mais depois dessa longa digressão.