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Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.
Texto 1
“A língua portuguesa é falada numa enorme extensão geográfica, como sabemos, e isto faz com que haja diferenças entre as diversas regiões. Um amazonense, por exemplo, fala diferente de um gaúcho, mas do ponto de vista línguístico os dois estão certos, não há um dialeto superior ao outro. Frequentemente, porém, os gramáticos tradicionais adotam um ponto de vista normativo, elegendo a variedade de língua falada numa região como melhor do que outra. Mesmo hoje, ainda há quem ache que em Portugal se fala mais corretamente do que no Brasil, pensamento que se deve a razões históricas, evidentemente. É preciso ter em mente que do ponto de vista de estrutura linguística não há dialetos superiores. Toda língua evolui continuamente, jamais para no tempo. O estudioso da língua, para poder estudá-la, procede como se estivesse estática, mas na realidade isto não acontece. É ilusório pretender que a língua não se modifique, por exemplo, de uma geração para outra. A tendência das pessoas, porém, é achar que a 'sua' linguagem é melhor que a das novas gerações, assim como tendem a achar que a linguagem de sua região, de sua classe é melhor. Não existem, que saibamos, argumentos linguísticos para justificar a superioridade ou inferioridade da língua de uma época sobre outra. São novamente razões sociais que fazem com que haja tendências para se conservar certas formas linguísticas, lutando para que não haja modificações. Na verdade, a língua oral se modifica mais rapidamente; a língua escrita tem tendência a ser mais conservadora. A escola em geral luta por conservar formas linguísticas que pertencem ao passado, mas nem sempre logra tal intento. As gramáticas tradicionais costumam também se fixar em formas mais antigas, tomando-as como modelo a ser seguido, como se o que fosse mais antigo fosse melhor. Como os linguistas procuram ter um ponto de vista científico ao estudar as línguas, eles buscam descrever o que encontram, ou seja, as regras que realmente estão vigorando numa comunidade linguística numa determinada época. Não é tarefa do linguista ditar normas, dizer como as pessoas devem falar ou escrever. Qualquer que seja a pessoa, a linguagem vai variar segundo esteja falando ou escrevendo. Embora tanto a língua oral como a escrita apresentem variações condicionadas pelos fatores diversos acima mencionados, a língua escrita, por se desenvolver em circunstâncias diferentes daquelas em que se desenvolve a oral, sempre será diferente desta. Vamos lembrar apenas alguns fatores que fazem com que a escrita sempre seja diferente da oral: ausência x presença do interlocutor, o que faz com que aquele que escreve tenha que ser mais explícito; maior possibilidade de corrigir eventuais falhas de performance; maior possibilidade de realizar as potencialidades da língua, etc. Estes fatores fazem com que as duas modalidades necessariamente sejam diferentes. Daí ser difícil, como querem às vezes gramáticos normativos, que a pessoa siga, na língua oral, normas da língua escrita. A oral será sempre mais espontânea, mais solta, mais livre e mais sujeita a falares de performance.”
(PONTES, Eunice. In: Sintaxe)
“Não existem, que saibamos, argumentos linguísticos para justificar a superioridade ou inferioridade da língua de uma época sobre outra. (...) A escola em geral luta por conservar formas linguísticas que pertencem ao passado, mas nem sempre logra tal intento”. Abaixo encontram-se fragmentos da obra de Machado deAssis.Assinale aqueleem que se apresenta uma variante linguística que, com o tempo, foi preterida.
“Sucedeu, porém, que como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.” (Dom Casmurro)
“O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.” (Dom Casmurro)
“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.” (Dom Casmurro)
“Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.” (Acartomante)
“E eu aproveitava a ilusão, fazendo muitos elogios ao morto, chamando-lhe boa criatura, impertinente, é verdade, mas um coração de ouro.” (O enfermeiro)