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Depois da terceira conferência, em 12 de junho de 1871, chegou a vez de Eça falar. O título era “A Literatura Nova”. O romancista era pouco conhecido e o que dele se conhecia não levava a prever que fosse advogar o realismo na literatura. Mas foi isso que fez. Durante a viagem pelo Oriente, Eça ficara entusiasmado por Flaubert. Era daquele tipo de literatura que ele queria falar.
MÓNICA, Maria Filomena. Eça: vida e obra de José Maria Eça de Queirós. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Neste fragmento, que trata de conferência de Eça de Queirós no Casino Lisbonense, no Chiado, é-nos revelada a oposição que o escritor português conferia ao romantismo, oposição esta perceptível também em seus escritos literários.
Assinale a alternativa cujo excerto literário expõe, com maior ênfase, a oposição que o escritor, por meio de um de seus personagens, confere ao romantismo.
“Pobre Alencar! O naturalismo; esses livros poderosos e vivazes, tirados a milhares de edições; essas rudes análises, apoderando-se da Igreja, da Realeza, da Burocracia, da Finança, de todas as coisas santas, dissecando-as brutalmente e mostrando-lhes a lesão, como cadáveres num anfiteatro; esses estilos novos, tão preciosos e tão dúcteis, apanhando em flagrante a linha, a cor, a palpitação mesma da vida; tudo isso (que ele, na sua confusão mental, chamava a ‘Ideia Nova’), caindo assim de chofre e escangalhando a catedral romântica, sob a qual tantos anos ele tivera altar e celebrara missa, tinha desnorteado o pobre Alencar e tornara-se o desgosto literário da sua velhice.” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014)
“Craft não admitia também o naturalismo, a realidade feia das coisas e da sociedade estatelada nua num livro. A arte era uma idealização!” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014)
“Alencar […] declarou aos amigos que não era a primeira vez que via Carlos. […] – Estava eu no Rodrigues, esquadrinhando alguma dessa velha literatura, hoje tão desprezada… Lembro-me até que era um volume de Éclogas do nosso delicioso Rodrigues Lobo, esse verdadeiro poeta da natureza, esse rouxinol tão português, hoje está claro, metido a um canto, desde que para aí apareceu o satanismo, o naturalismo e o bandalhismo… Nesse momento, passaste, disseram-me quem eras, e caiume o livro da mão…” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014).
“Alencar já tinha Carlos estreitado ao peito, e quando o soltou, retomando-lhe as mãos, sacundindo-lhas, com uma ternura ruidosa: […] – Tua mãe, devo dizê-lo, tinha literatura e da melhor. Consultou-me, consultava-me sempre, nesse tempo eu era alguém, e lembro-me de lhe ter respondido… ‘Ponha-lhe o nome de Carlos Eduardo, minha rica senhora, Carlos Eduardo, que é o verdadeiro nome para o frontispício de um poema, para a fama de um heroísmo ou para o lábio de uma mulher!’” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014).
“Falou-se logo do crime de Mouraria, drama fadista que impressionava Lisboa, uma rapariga com o ventre rasgado a navalha por uma companheira, vindo morrer na rua em camisa, dois faias esfaqueando-se, toda uma viela em sangue. […] Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance… Isto levou logo a falar-se do Assommoir, de Zola e do realismo: e o Alencar imediatamente, limpando os bigodes dos pingos de sopa, suplicou que se não discutisse, à hora asseada do jantar, essa literatura ‘latrinária’” (QUEIRÓS, Eça. Os Maias. Rio de Janeiro: Zahar, 2014).