

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Texto para as questões 1 a 9
CAPÍTULO XI / O MENINO É PAI DO HOMEM
Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci
naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos.
Talvez os gatos são menos matreiros, e com certeza, as
magnólias são menos inquietas do que eu era na minha
5 infância. Um poeta dizia que o menino é pai do homem.
Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do
menino.
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de
“menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa;
10 fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto,
traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a
cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do
doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o
malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não
15 satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a
escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha
apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o
meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão,
recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu
20 trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigavao,
dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, —
algumas vezes gemendo, — mas obedecia sem dizer
palavra, ou, quando muito, um — “ai, nhonhô!” — ao que
eu retorquia: — “Cala a boca, besta!” — Esconder os
25 chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas
graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões
nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste
jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer
que eram também expressões de um espírito robusto,
30 porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às
vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples
formalidade: em particular dava-me beijos.
(Joaquim Maria Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas
No excerto “... um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo...” (linhas 11 a 13), sob a ótica da coesão de natureza sequencial, entende-se que houve a adequada correlação, na sentença linguística, entre os tempos verbais
presente do indicativo e presente do subjuntivo.
pretérito perfeito do indicativo e pretérito perfeito do indicativo.
pretérito perfeito do subjuntivo e pretérito imperfeito do indicativo.
pretérito perfeito do indicativo e pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
pretérito perfeito do subjuntivo e pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo.