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Nos versos “Recife... / Rua da União... / A casa de meu...

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões 7 e 8


“[...]

O de amendoim

que se chamava midubim e não era torrado era cozido

Me lembro de todos os pregões:

Ovos frescos e baratos

Dez ovos por uma pataca


Foi há muito tempo...

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros

Vinha da boca do povo na língua errada do povo

Língua certa do povo

Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil

Ao passo que nós

O que fazemos

É macaquear

A sintaxe lusíada


A vida com uma porção de coisas que eu não entendia

bem

Terras que não sabia onde ficavam

Recife...

Rua da União...

A casa de meu avô...

Nunca pensei que ela acabasse!

Tudo lá parecia impregnado de eternidade

Recife...

Meu avô morto.

Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro

como a casa de meu avô.”


(Evocação do Recife – Manuel Bandeira). Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/9074/evocacao-do-recife. Acesso em: 1º ago. 2019. . Acesso em: 1º ago. 2019.

Nos versos “Recife... / Rua da União... / A casa de meu avô...”, as reticências desempenham a função de


A

indicar que a ideia expressa pelos versos se perpetua no pensamento do eu lírico e não termina com o fim da frase.


B

assinalar uma suspensão no ritmo da fala provocada por uma hesitação nas ideias expressas pelo eu lírico.


C

mostrar a interrupção do fluxo de ideias do eu lírico, e a mudança do assunto que vinha sendo tratado até ali.


D

marcar o corte na fala do eu lírico, pela interferência da fala de outro personagem presente no poema.