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O texto de Slim realiza uma intertextualidade com o texto...

INSTRUÇÃO: Leia os textos a seguir para responder às questões de 9 a 10.

TEXTO I

‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas

Ao quente arfar das virações marinhas,

Veleiro brigue corre à flor dos mares,

Como roçam na vaga as andorinhas...


Donde vem? onde vai? Das naus errantes

Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?

Neste saara os corcéis o pó levantam,

Galopam, voam, mas não deixam traço.

[...]

Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!


E ri-se a orquestra irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais...

Se o velho arqueja, se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.

E voam mais e mais...


Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!


No entanto o capitão manda a manobra,

E após fitando o céu que se desdobra,

Tão puro sobre o mar,

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!

Fazei-os mais dançar!...”


(Navio Negreiro – Castro Alves – 1880).

Disponível em: http://biblio.com.br/defaultz.asp?link=http:// biblio.com.br/conteudo/CastroAlves/navionegreiro.htm>

Acesso em: 5 ago.2019






TEXTO II

Estamos em pleno mar, embarcações de ferro e aço

Onde pessoas disputam palmo a palmo por um espaço

Nesse imenso rio negro de piche e asfalto

Cristo observa tudo calado de braços abertos lá do alto

Onde a lei do silêncio impede que ecoe o grito do morro

Dos poetas em barracos sem forro, que clamam por

socorro

Homens de pele escura, sem sobrenome importante

Filhos de reis e rainhas de uma terra tão distante

O mar separa o Brasil da África

Um rio separa as periferias das mansões de magnatas

Uniformes diferenciam funcionários de patrões

A cor denuncia vítimas antigas de explorações

Trazidos em porões e navios negreiros

Tratados como animais, vendidos a fazendeiros

Vivendo em cativeiros

Negociados como mercadoria

Enriquecendo a classe nobre, hoje chamada burguesia

Deixou pra trás dialetos e crença

Caçados, mortos e açoitados quem tentou resistência

Tratados como gado, sem direito à educação

Emudeceram seus tambores, amaldiçoaram sua

religião

[...]


(Navio Negreiro – Slim Rimografia – 2011). Disponível em: Acesso em:

http://www.letras .mus.br/slim-rimografia/navio-negreiro/.

Acesso em: 5 ago.2019





O texto de Slim realiza uma intertextualidade com o texto de Castro Alves.

Sobre esse diálogo, é incorreto afirmar:



A

Observa-se que o texto II objetiva recontar a narrativa contada pelo texto I, realizando uma paráfrase, traduzindo, porém, a linguagem de Castro Alves para uma linguagem contemporânea e urbana, típica do rap.


B

O texto de Slim reformula, à luz da contemporaneidade, as imagens de Castro Alves. Dessa maneira, o mar do navio negreiro transforma-se no mar de asfalto e piche, e as consequências da escravidão na atualidade são abordadas.


C

Em “O mar separa o Brasil da África / Um rio separa as periferias das mansões de magnatas”, no texto II, está presente a ideia de continuidade temporal e de perpetuação do processo de escravidão, sintetizadas nas imagens de separação causada pelo mar, no passado, e pelo rio, no presente.


D

Os versos “Vibrai rijo o chicote, marinheiros! / Fazei-os mais dançar!...”, de Castro Alves, encontram correspondência nos versos “Trazidos em porões e navios negreiros / Tratados como animais”, do texto II.